Pseudônimo: quando e por que usar?

O que leva um autor a escolher se proteger atrás de um pseudônimo? Historicamente, muitos escritores e escritoras optaram por publicar livro com pseudônimo por razões políticas: ter sua verdadeira identidade associada ao livro poderia ser um problema.

Para as autoras mulheres, às vezes isso se dava pelo preconceito de gênero. Isto é, os editores não levavam a sério um livro publicado por uma mulher. Há também quem escreva conteúdos “subversivos” em meio a um governo ditatorial, onde é necessário proteger sua identidade para não ser associado a pensamentos antigoverno.

Às vezes, os motivos para usar um pseudônimo são mais simples. Você pode achar que seu nome de registro é sem graça demais ou até mesmo querer publicar ebook com cenas que você preferiria que sua mãe não lesse. Quem nunca?

Mas, e hoje em dia? Ainda é uma boa ideia usar um pseudônimo? Podemos argumentar que não existem mais as mesmas barreiras para a autopublicação de livros escritos por mulheres e que, pelo menos no Brasil, você ainda pode escrever sobre o governo sem medo de ser considerado “subversivo”.

Indo mais longe, há certos riscos em adotar um nome artístico diferente do próprio e buscar o anonimato, já que vivemos em uma era onde quase não existe privacidade no meio digital. Em outras palavras, se você desejar que ninguém descubra quem escreveu seu livro, ainda existem chances de que descubram mesmo assim.

Perante a lei, o autor que publica sob um pseudônimo tem o direito à sua privacidade e sigilo garantido. Acontece apenas que a prática nem sempre segue a teoria. Temos o caso da autora JK Rowling, que publicou o livro O Chamado do Cuco sob o pseudônimo Robert Galbraith, a fim de observar o desempenho do livro sem associá-lo à sua fama. Infelizmente, a informação vazou em poucos meses. Rowling processou o responsável pelo vazamento e ganhou o caso, mas as consequências não puderam ser revertidas, o seu anonimato acabou.

Quando você não deve usar um pseudônimo

Para facilitar sua vida, vamos delimitar de modo geral quando você deve ou não adotar um pseudônimo, começando pelos piores motivos para abandonar seu nome de registro em favor de um nome artístico:

  1. “Quero um nome mais chamativo.” Prossiga com calma. Pense bem no que está fazendo. Não é o seu nome que vai impressionar os leitores e, honestamente? As chances de escolher um pseudônimo brega quando a sua motivação é essa são enormes.
  2. “Quero um nome que represente minha identidade.” A não ser que você consiga pensar em um nome realmente brilhante de um ponto de vista literário, leia o comentário acima. Em resumo: brega e amador.
  3. “Meu livro é baseado em fatos reais e não quero que meus conhecidos saibam que estou escrevendo sobre eles.” Um pseudônimo pode proteger sua privacidade até certo ponto, mas não isenta o autor de determinados compromissos legais. Se o seu livro conter informações que prejudiquem as pessoas mencionadas, elas terão o direito de processar você de uma maneira ou de outra. Portanto, sua prioridade aqui é esconder a identidade dessas pessoas e não a sua.
  4. “Não quero que saibam que eu sou o autor deste livro.” Neste caso, você deve se perguntar o que há de errado com o seu livro para que você não queira que ninguém o associe a ele. Se você tem vergonha do que escreve, é mesmo uma boa ideia publicar? Talvez seja o caso de mudar o seu livro, não o seu nome.

Quando você deve usar um pseudônimo

Sim, existem motivos péssimos que não justificam o uso de um pseudônimo. Às vezes, no entanto, até as pessoas mais contrárias ao uso de nomes artísticos precisam admitir que é melhor usá-los.

  1. “Meu nome de registro é ridículo.” Raro, mas acontece. Infelizmente, algumas pessoas até mesmo sofrem bullying pelos seus nomes de registro. Se o seu nome faz com que você não seja levado a sério pelos outros, pode sim ser uma boa ideia escolher um pseudônimo.
  2. “Os livros que escrevo podem interferir na minha carreira profissional.” Nem todo autor tem a escrita como fonte de renda. Inclusive, publicar livro pode pegar mal em certas profissões (dependendo do que você escreve, é claro). Portanto, se você precisa zelar pela sua reputação e não quer que suas duas áreas de atuação interfiram uma com a outra, adotar um pseudônimo é a escolha mais sensata.
  3. “Eu tenho o mesmo nome que outra pessoa famosa.” Esse é um excelente motivo para escolher um pseudônimo. Se você se chama Clarice Lispector ou Vinicius de Moraes, com certeza deve utilizar um pseudônimo ou pelo menos “brincar” um pouco com a grafia do seu nome. Por exemplo, optando por publicar livros como M.V. Moraes ou Marcus de Moraes.

Devo usar um pseudônimo diferente para cada gênero literário?

Há muitos autores que optam por adotar um pseudônimo quando publicam livros em um gênero diferente do de costume. Foi o caso de Agatha Christie, famosa pelos seus romances policiais e que publicava sob o pseudônimo Mary Westmacott quando queria se distanciar de sua reputação de “rainha do crime”.

Com as responsabilidades que um autor independente tem hoje em dia, adotar um pseudônimo pode ser muito mais do que apenas escolher um nome. Significa que você está começando toda uma carreira do zero. É uma marca nova, ainda desconhecida pelo público. Por esse motivo, para alguns autores é melhor simplesmente seguir com o mesmo nome, ainda que você abranja diversos gêneros em sua carreira.

De qualquer forma, existem limites para tudo. Tudo bem você ser um autor que publica desde romances históricoslivros de fantasia ou até mesmo que gosta de se aventurar na não ficção… Mas, se você quer escrever ebooks de literatura infantil de dia e livros com cenas quentes a noite, então o pseudônimo é uma obrigação.

Se os gêneros que você escreve são distintos a ponto de serem incompatíveis, o pseudônimo se torna uma forma de preservar sua reputação e os seus leitores. Quando se trata de gêneros com faixas etárias muito distintas, o pseudônimo se torna uma espécie de “obrigação social”. Afinal, é um fato que os leitores têm o hábito de comprar os livros dos autores que gostam, às vezes sem sequer conferir a sinopse.

Pseudônimos são muito úteis e, por vezes, necessários. Cabe a você pensar cuidadosamente se é o caso de você usá-los ou não.

2 Comentários

  1. Letícia Ribeiro

    Ter 2 partes de seu livro parecidas com outro também é plágio?
    Por exemplo, no meu livro a personagem principal não tem pais e no final o vilão tem que fugir para dar continuação a história. E esses dias percebi que em Harry Potter também temos essas 2 coisas. Mas minha história é total e completamente diferente. Ainda assim, é considerado plágio?

    Responder
    1. Redação

      Olá Letícia, não precisa se preocupar. Plágio é repetir não só similaridades na história, mas construção da narrativa, texto, personagem e outras similaridades.

      Responder

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *