O segredo para escrever uma história de terror assustadora

Escrever uma história de terror realmente assustadora não é uma tarefa fácil. Todo o gênero terror é voltado em um sentimento provocado nos leitores: medo. E, por alguma razão, essa é uma das emoções mais difíceis de se transmitir.

Não basta colocar fantasmas e demogorgons na sua história para assustar os leitores. Nem mesmo encher suas páginas de violência gratuita e gritos torturados. O terror não está aí, nas coisas explícitas. Ele está além, nas entrelinhas, no desconhecido.

Hoje, nas nossas dicas de autopublicação, vamos revelar o segredo para escrever uma história de terror assustadora.

Incite o medo do desconhecido

Para escrever uma história de terror que tira o sono dos seus leitores, você deve mostrar a eles um mundo de possibilidades macabras que eles desconhecem. Criaturas e tragédias que podem recair sobre alguém quando essa pessoa menos espera. Algo implacável.

O terror surge do medo do desconhecido. Não é a morte em si, mas a dúvida do que virá depois. É o som perturbador no quarto vazio ao lado, causado por não se sabe o quê. Não é a escuridão em si, mas o fato que ela esconde perigos, de forma que não podemos nos preparar nem nos proteger.

Por isso, ao escrever uma história aterrorizante, evite revelar demais. Melhor do que mostrar quem é o monstro, é descrever as sensações horríveis que ele desperta nas personagens.

Em terror, mais do que em qualquer outro gênero literário, o “show, don’t tell” (mostre, não diga) se prova fundamental. Em vez de usar palavras como “medo”, “assustado”, “terror”, faça o leitor sentir na pele o que a personagem está passando.

Use e abuse de todos os sentidos. Descreva o cheiro do monstro, a sensação do seu toque, os sons que ele provoca (inclusive aqueles que foram alarmes falsos). Crie tensão e não explique demais.

Deixe uma sensação de dúvida sobrevoando os pensamentos dos seus leitores. Faça com que eles terminem o livro e ainda não tenham certeza do que era o vilão. Uma dúvida tão grande que eles não dormirão à noite.

Cause desconforto em quem lê

O medo está relacionado a outra sensação humana: o desconforto. As histórias de terror bem sucedidas são aquelas que conseguem retirar o leitor da sua zona de conforto e despertar um incômodo profundo. Mas como causar esse desconforto?

Pense primeiro no que deixa você desconfortável. Por que um sorriso pode ser uma expressão inocente de felicidade e, às vezes, uma ameaça? Por que alguns palhaços são simpáticos (para quem não tem fobia, é claro) e outros… nem tanto? O que diferencia uma casa agradável de uma casa assustadora?

Em todos os cenários que causam desconforto, há algo que parece errado, mesmo que os leitores não saibam explicar exatamente o porquê. É como uma distorção que transforma algo bom em algo ruim.

Uma escada em que falta um degrau. Uma música que de repente fica fora do tom. Uma risada um pouco aguda demais. Um sorriso malicioso. Um olhar sem vida. Um palhaço sem inocência.

Sem dúvidas, uma das maneiras mais eficazes de aterrorizar o leitor é atacar diretamente a sua zona de conforto. Observe como todos esses elementos eram amigáveis. Destrua a confiança nos momentos simples, nos locais seguros, nas pessoas “boas”.

Alguns dos filmes de terror mais assustadores são aqueles que utilizam o formato documentário, como A Bruxa de Blair e Atividade Paranormal. Nesses casos, a zona de conforto é a “vida real”, onde não existem bruxas e demônios.

Em Atividade Paranormal, especificamente, a zona de conforto é também o seu próprio lar que você compartilha com a pessoa amada. O filme provoca a sensação de que o espectador não pode se sentir seguro nem mesmo em sua casa enquanto tenta dormir.

Cause desconforto. Distorça a realidade. Coloque elementos estranhos onde tudo deveria ser normal. Crie desconfiança em personagens até então inocentes. Use suas palavras para transmitir a sensação de estranheza.

Encontre os seus medos mais obscuros

Uma característica essencial do terror é o quão íntimo ele é. Todos temos medo de algo. Até os animais sentem medo. É uma sensação instintiva e profunda, capaz de nos paralisar quando deveríamos correr e abandonar quem deveríamos ajudar.

Nós, humanos, temos vergonha dos nossos medos. Justamente porque eles são capazes de nos fazer agir de maneira irracional e egoísta, queremos esconder esse sentimento. Além disso, valorizamos a coragem e a associamos com algo “masculino”.

Mas o medo está em todos nós. Inclusive em você, autor. E, se uma coisa é capaz de assustar você, ela tem potencial para assustar seus leitores, pois o medo é universal.

Dessa forma, escrever terror também é cavar as profundezas do seu subconsciente, encontrar e explorar seus medos. É mais do que enfrentá-los, é usá-los ao seu favor.

Quando você souber exatamente o que o assusta, ficará muito mais fácil reproduzir isso em palavras e levar os leitores nessa jornada macabra.

Mas lembre-se! Nada de ser óbvio ou superficial demais. Não estamos falando de questões simples como “tenho medo de aranhas”, mas cada pequeno detalhe de uma aranha que você considere repulsivo. Cada situação hipotética que tira você do sério.

Descreva os olhos, as patas, os pelos, o toque da aranha. Fale de seus movimentos por hora lentos, de como ela pára repentinamente quando é vista por alguém e corre com enorme velocidade quando precisa.

Você deve explorar seus piores pesadelos. Aqueles que fazem você suar frio. Aqueles que deixam seus dedos formigando enquanto você escreve. Aqueles que tirarão seu sono à noite.

Nunca ofereça o pior já no começo

Todo livro precisa de um clímax. Se você quer publicar ebook de terror, não é uma boa ideia tentar aterrorizar os leitores já nas primeiras páginas se não tiver nada ainda mais tenebroso para mostrar depois.

Não só isso decepcionará os leitores, que esperarão algo muito pior e nunca encontrarão o clímax, como simplesmente não será tão eficaz.

Você precisa trabalhar na imersão dos leitores antes de tentar tirar suas noites de sono. Primeiro, a suspensão de descrença. Depois, o terror.

Quando um leitor abre um livro e lê a primeira página, ele está disposto a ser absorvido por aquele mundo fictício, mas isso é um processo. É preciso conquistar o leitor e sugá-lo aos poucos para dentro do livro.

O leitor, como ele é, vive em um mundo onde não existem fantasmas, monstros ou coisas. Ele está confortável e quer ler por lazer. Em outras palavras, a essa altura, o seu “terror” não o atingirá.

As primeiras páginas de um livro de terror devem criar suspense. Desconforto. Elas não devem mostrar de cara quem é o monstro. Elas devem apresentar a ideia de que aquele mundo tem algo de errado. Aí sim começa o terror.

Isso não significa que você não pode tentar assustar o leitor logo no começo. Começar um livro direto na ação é uma boa maneira de envolver o leitor, mas… deixe o pior para o final. O terror deve ser crescente, progressivo, aumentando a cada página.

O começo é só um gostinho do que está por vir.

Proteja a suspensão de descrença

Você precisa imergir o leitor para conseguir assustá-lo. Mas, não basta apenas uma “imersão inicial”. É necessário manter o leitor consistentemente imerso até a última palavra do livro.

Como já mencionamos, a suspensão de descrença é crucial. Ela representa o momento em que o leitor abandona a sua descrença em criaturas sobrenaturais e aceita entrar no seu universo fictício e viver intensamente todas as emoções que esse universo pode oferecer.

Quando o leitor suspende sua descrença, ele está doando algo ao seu livro. Você precisa fazer com que valha a pena.

Alguns fatores importantes para manter a suspensão de descrença são:

  • Narrativas imersivas, que descrevem cenários e transmitem sensações vívidas
  • Enredos coerentes e verossímeis, sem eventos que beiram o ridículo (a diferença entre terror e paródia)
  • Personagens bem desenvolvidas, com quem os leitores podem se identificar
  • Dicas e pistas que instigam os leitores a tentar entender o que está acontecendo
  • Não forçar a imersão do leitor com clichês e narrativa em 2ª pessoa
    : “Essa é uma história real”; “Você é o próximo!”

Em geral, para fazer um bom livro de terror, é fundamental respeitar todas as regras para se escrever uma história de ficção. Ou seja, um enredo bem-feito, personagens bem desenvolvidas, texto bem escrito. O de praxe. E essas dicas você pode encontrar em todo o blog da Bibliomundi.

E aí, autor? Qual o livro mais assustador que você já leu ou escreveu?

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