O que é um bom livro?

Entre escritores, leitores e críticos, não há um consenso, seja no meio tradicional ou de autopublicação. A pergunta vem e volta: o que é um bom livro? Como se define um bom livro? Quais são as características de um bom livro? Alguns podem dizer que um bom livro é feito com vocabulário amplo, enredo imprevisível e sem furos, personagens tridimensionais. Outros respondem com: “aquele que você jamais consegue esquecer”. Mas, se for assim, por que algumas pessoas amam os livros de Nicholas Sparks e outras odeiam?

Vamos por partes. Se um bom livro é aquele que você jamais consegue esquecer, então não existe nenhum consenso sobre o que é um bom livro, porque certamente há muitos estudantes que não se lembram de um “a” dos clássicos da literatura que estudaram no colégio. E, mais ainda, você pode memorizar um livro para sempre só porque o considerou notoriamente ruim.

E se você define um bom livro por características como “vocabulário amplo” e por aí vai, encontramos outro problema. É melhor a escrita que é cheia de complexidades ou àquela que é simples? Existe apenas um estilo válido? Certas histórias abraçam enredos simples e previsíveis para criar personagens tão cotidianos quanto marcantes. Outras são mirabolantes em enredo e vocabulário, mas as personagens não são o foco. E acima de tudo: você realmente quer impor regras à arte?

Se um bom livro é aquele que surpreende você, então todo final inesperado pode ser considerado bom. Mas quem nunca leu um livro com um final tão sem pé nem cabeça que jamais seria possível de prever… ou aceitar? Em geral, mesmo que o enredo tenha reviravoltas, espera-se um tanto de coerência. Até o no sense de Alice no País das Maravilhas é coerente em suas loucuras.

“O bom livro faz você pensar por dias, semanas, meses, anos seguidos”. A mais simples das histórias pode surtir esse efeito. Contada casualmente, em uma fila no ônibus; se dita para a pessoa certa, na hora certa, essa história pode mudar a vida de alguém. E, às vezes, para o próprio locutor era apenas um fato casual. A relação que temos com uma história diz muito mais sobre nós do que sobre elas.

Então, o que diabos é um bom livro?

Talvez a resposta certa não seja uma resposta. Talvez seja uma pergunta. Outra pergunta. Uma reformulação da pergunta. O que é um bom livro para você? Como você o definiria?

E, sim, sua resposta pode ser qualquer uma das respostas acima. E também pode ser outra.

Quando pensamos nas palavras “bom livro”, o mais provável é que pensemos em um exemplo ou mais. Não pensamos tanto em palavras para definir, como se nossa cabeça fosse um dicionário flutuante. Criamos associações. Mexemos nas memórias. O bom livro é aquele livro que eu considero um bom livro (risos).

Pode ser um clássico incontestável da literatura, se é que isso existe. Pode ser aquele livro best-seller que você nunca mais esqueceu. E pode até mesmo ser um livro que você sabe que tem “defeitos”, mas que não falhou em marcar você para o resto da vida.

Interessantemente, para definir um bom livro, o que precisamos são referências. Como distinguir o “bom” do “ruim”? A resposta mais provável é simples. Lendo. Talvez o primeiro livro que você tenha lido já seja um bom livro para você. Talvez se você ler outros, você mude de opinião. Quanto mais se lê, mais se pode categorizar. A questão é que, por mais que você leia, você ainda não concordará com todos os outros.

Se um livro best-seller for considerado ruim, como muitos são, como se discute com os milhões de leitores que os compraram? E aí encontramos o impasse.

E talvez você esteja se perguntando: qual o propósito de tudo isso? Para que tanta divagação se não há resposta?

Bem. Sem questionamentos, não há filosofia, não há estudo. Não é a toa que em algumas faculdades de literatura se estuda por um período ou mais o enganosamente simples conceito de “literatura”, em si. E quer saber? Não tem resposta certa. O que existem são diferentes correntes teóricas, cada uma com uma resposta diferente. Se estuda para saber que não se sabe. Se estuda, talvez, para formar uma opinião, sabendo que algum teórico muito importante no meio acadêmico não vai concordar com você.

Há muita sabedoria na humildade. E muito otimismo também.

O nosso propósito aqui é fazer você pensar: você já achou que o seu livro era ruim? Ou que a cena independente era ruim? Talvez toda a cena de autores nacionais? Todos os autores contemporâneos? Calma.

Escreva o seu livro pensando por você mesmo. O que você considera bom ou ruim? E saiba que, mesmo que você tenha seus critérios, seus leitores podem ter outros. Critérios esses que podem privilegiar o seu livro ou não. Receba críticas, receba elogios. Mas escreva. E escreva sem medo de publicar livro. Com incertezas, sim. Mas com a segurança de que nada é definido.

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