O que é um arco narrativo?

O arco narrativo, ao qual também podemos referir como “arco de uma história”, se trata de nada mais, nada menos do que o caminho que uma história toma. Como o próprio nome sugere, o “arco” é o formato de uma história. Ele é a jornada através dos eventos, com começo, meio e fim.

O conceito de arco narrativo como conhecemos hoje foi desenvolvido pelo escritor alemão Gustav Freytag, através de suas análises das tragédias gregas e das peças de Shakespeare.

Tipicamente, nas peças clássicas de Shakespeare o arco narrativo se divide em cinco atos: introdução, elevação da ação, clímax, declínio da ação e dénouement. Neste modelo, com o clímax bem no meio, o que observamos é um “arco” com formato semelhante ao de um morro ou uma pirâmide. A ação sobe e desce.

Hoje em dia, no entanto, é possível observar arcos narrativos com formatos diversos. Uma história pode começar no meio da ação (in media res), ultrapassar momentos de calmaria e terminar no clímax. Ela também pode parecer uma sequência de ondas, subindo e descendo, subindo e descendo.

E por que tudo isso seria importante? Bem. Estamos no campo da teoria e, é claro, nem todo autor se interessa por isso. Contudo, o arco narrativo pode ser compreendido como uma espécie de esqueleto da história.

É atravessando esse arco, essa jornada, que chegamos à conclusão de uma história. Tudo que está no caminho é relevante para que se alcance o fim perfeito.

Qual a diferença entre o arco narrativo e o enredo?

Em termos simples, o enredo é o que acontece na história. Não se refere à estrutura da história, nem à jornada da narrativa. Enquanto o enredo pode englobar a sequência de eventos que ocorrem dentro da história, ele não diz respeito a como essa sequência se desenrola, à progressão desses eventos.

Pode-se dizer que a maneira como a história flui está relacionada ao arco narrativo.

E o arco de personagem, o que é?

É interessante notar que não apenas histórias podem ter arcos. Personagens também! O arco de uma personagem é a jornada que ela atravessa ao longo da história, marcando o seu desenvolvimento.

O arco narrativo abrange todas as personagens de uma só vez. O arco de uma personagem pertence apenas a ela, e tem muito a ver com os conflitos e provações que ela enfrenta sozinha.

O que torna o arco de uma personagem em algo especial é poder observar as mudanças que essa personagem sofre. Por exemplo, quando ela começa a história como uma pessoa mimada e arrogante, até que é obrigada a sair da sua zona de conforto, percebe que não é melhor do que outras pessoas e enfrenta dificuldades reais. Eventualmente, ela se torna mais humilde e, ao mesmo tempo, mais capaz.

Em geral, é mais comum que apenas personagens de grande destaque tenham espaço para seus respectivos arcos, mas mesmo personagens secundárias podem ter seus arcos também.

Para que uma personagem tenha seu próprio arco, é necessário que se observe uma jornada com começo, meio e fim envolvendo conflitos e superações. Não necessariamente todo arco de personagem deve ter o mesmo tamanho ou o mesmo nível de exposição na narrativa. Se for possível concluir as etapas, já é um arco válido.

Como escrever um arco narrativo?

Por fim, vamos às dicas práticas de autopublicação. Afinal, é para isso que vocês visitam o blog da Bibliomundi, não é mesmo?

Como usar o conceito de arco narrativo na hora de escrever e publicar livro? Como criar um arco narrativo para a sua história? Como é que isso funciona? Bem. Calma. Podemos concluir essa tarefa em cinco passos:

1.      Escolha uma estrutura de enredo

A melhor forma de começar a montar um arco narrativo é buscar referências nos clássicos. Já existem modelos consagrados de estrutura de enredo, e inclusive já abordamos essas estruturas em pelo menos dois artigos! Dê uma olhada nos artigos A jornada do herói: como usar o monomito para escrever um livro e Inspiração: modelos de estruturas para enredos.

Não se sinta obrigado a seguir essas estruturas pré-definidas ao pé da letra. Veja apenas como uma inspiração, um guia. Aprendendo a escrever com estruturas que já existem e funcionam, você pode desenvolver o seu próprio estilo de arco narrativo.

2.      Identifique o começo, o meio e o fim da sua história

Agora, vamos entrar nos específicos. Entenda quem são suas personagens principais, onde elas começam, para onde elas vão e onde elas terminam. Entenda qual o objetivo de tudo isso, tanto numa perspectiva individual de cada personagem, como também do enredo como um todo.

Por exemplo, uma história pode ter como missão geral a salvação do mundo, enquanto o protagonista, por sua vez, não tem certeza se quer salvar a todos. Ele pode querer salvar apenas a si mesmo.

3.      Encaixe os eventos da sua história no arco narrativo

O arco narrativo tem um nome tão visual não é à toa. Você deve desenhá-lo. Monte o seu arco e encaixe os eventos da história nele. Ao visualizar seu arco narrativo, você terá mais facilidade para encontrar furos e perceber o que pode ser melhorado.

Observação: seguir um modelo pré-definido de estrutura de enredo, como sugerimos no primeiro passo, certamente ajudará você a desenhar o seu arco.

Por exemplo, no modelo de história em cinco atos, o arco pode ter o formato de uma pirâmide e deve ser marcado em cinco pontos, referentes a cada ato. A partir daí, você poderá encaixar os eventos da sua história em cada ato do arco narrativo, de acordo com o que aquele ato representa para a estrutura narrativa.

4.      Faça os ajustes necessários

Por fim, vale a pena repetir que modelos pré-definidos são sugestões, inclusive os modelos que você definiu para si mesmo e para a sua história. Você pode seguir o monomito e perceber que sua história fluiria melhor com algumas alterações. Você pode fazer todo o mapeamento do seu enredo e, conforme escreve, ver a história seguir um caminho inesperado.

Permita-se. Faça ajustes e aceite as mudanças. O aperfeiçoamento da sua história só acaba na hora de publicar ebook!

E aí, autor? O que você acha de usar conceitos literários na hora de escrever histórias?

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