O Guia Completo para Escrever melhor

Não há limites para a nossa evolução, e isso também se aplica à escrita. Se você acha que já escreve de forma perfeita e não tem mais o que aprender, volte duas casas. Agora, caso você tenha a mente aberta e queira melhorar, confira o nosso guia completo para escrever melhor.

De muitas formas, escrever melhor significa saber editar seu próprio livro. Na autopublicação, essa é uma qualidade imprescindível a não ser que você tenha renda o suficiente para contratar um editor profissional, o que seria o ideal para todos os escritores.

No que se trata da inspiração, acreditamos que todas as ideias merecem espaço e que todos os escritores devem ter uma voz. Aliás, essa história de “inspiração” é um tanto ultrapassada. A maioria dos grandes autores, como o próprio Ernest Hemingway, acreditam que se você tiver disciplina na escrita e botar umas palavrinhas no papel todos os dias, algo muito parecido com a inspiração virá até vocês.

Por isso, reunimos algumas dicas de como escrever melhor levando em consideração a forma do texto em primeiro lugar.

1.     Use a voz ativa

A nossa primeira dica para escrever melhor é bem simples e direta. Use a voz ativa sempre que possível, evite a voz passiva. Isso significa organizar as orações da maneira mais comum: sujeito, predicado.

Um exemplo de frase com voz ativa é: “A voz passiva dificulta a concentração”.

A voz passiva, por sua vez, funciona assim: “A concentração é dificultada pela voz passiva”.

Consegue ver como um modelo é muito mais objetivo do que o outro? O uso da voz passiva cria rodeios no texto em vez de ir direto ao ponto, dificultando a concentração do leitor e tornando a narrativa mais desgastante.

2.     Diga somente o necessário

No blog da Bibliomundi, existe um artigo inteiro sobre como reduzir seu texto ao necessário. A verdade é que, muitas vezes, menos é mais. Escrever demais, incluindo palavras ou descrições desnecessárias ou até mesmo usando termos complicados que ninguém além de você sabe o que significa, tudo isso atrapalha a experiência do leitor.

Algumas formas de reduzir o seu texto ao necessário são:

  • Substituir palavras muito difíceis por palavras simples
  • Substituir advérbios de intensidade por substantivos e adjetivos que exprimem intensidade
  • Evitar repetições desnecessárias
  • Não ser redundante
  • Não explicar ou descrever o óbvio

3.     Aumente seu vocabulário

Reduzir o seu texto ao necessário não significa que ter um vocabulário amplo é dispensável. Nada disso. Sem um vocabulário amplo, você frequentemente terá que recorrer aos temíveis advérbios de intensidade, por exemplo, e não é nem preciso dizer que “ele estava aterrorizado” é uma frase mais interessante do que “ele estava com muito medo”.

Ter um amplo vocabulário significa que você sempre terá em mãos a ferramenta que precisa para transmitir a mensagem desejada. Não é uma questão de escolher palavras difíceis no lugar de palavras simples, mas de utilizar exatamente a palavra que você estava buscando.

Uma maneira interessante de ampliar o vocabulário é buscando uma palavra nova por dia e, então, usando essa nova palavra em suas frases ao longo do dia. Não basta apenas dar uma lida no dicionário e contar com a sua memória. Esquecemos tudo o que é supérfluo, e nada mais dispensável do que uma palavra que não utilizamos.

Essa técnica também é uma ótima maneira de filtrar quais palavras serão realmente úteis para a escrita. Afinal, se você não conseguir encaixar a palavra em nenhuma frase ao longo do dia, é sinal de que ela não serve para nada.

4.     Seja específico quando necessário

Falando em vocabulário, às vezes é importante ser bem específico nas descrições. Isso não significa que você deve falar sem parar sobre o formato da janela da sala de estar do seu protagonista, mas que, ao mencionar que sua personagem é apaixonada por decoração, é uma boa ideia descrever a decoração da sua sala.

Em vez de dizer “ela tinha uma sala muito bem decorada”, que tal “as paredes brancas de sua sala eram decoradas por quadros de molduras diversas que se contrastavam harmoniosamente, uma samambaia brotando pela janela, e uma lâmpada industrial iluminava a mesa”?

Alimente a imaginação do seu leitor com descrições vívidas que dizem algo sobre a personagem, o ambiente em que ela se encontra e o tom do seu livro.

5.     Use a pontuação para criar ritmo

Gramaticalmente falando, a pontuação é uma forma de organizar o texto com base na estrutura das nossas frases. Muitas pessoas acreditam que a vírgula representa as nossas pausas para respirar, e essa ideia está errada. O objetivo das vírgulas é separar orações de sujeitos diferentes ou elementos de uma oração que não seguem a ordem padrão.

Como um escritor profissional, é importante saber usar a pontuação corretamente, mas também como usar a pontuação ao seu favor na hora de criar ritmo para o seu texto. Frases curtas aceleram o texto, enquanto frases longas deixam o ritmo mais lento.

Brinque com a pontuação e veja como ela é capaz de mudar o ritmo e o sentimento de um texto, além do significado das frases.

6.     Uma coisa de cada vez

Sim, frases longas têm o seu propósito, mas tome cuidado para não exagerar. Alguns autores têm a mania de transmitir todas as informações possíveis em uma frase só e, em geral, isso prejudica a compreensão do leitor.

Lembre-se do que aprendemos nas aulinhas de português e redação: cada frase e cada parágrafo deve transmitir uma ideia de cada vez. Quando você chegar a outra ideia, é hora de começar outra frase, começar outro parágrafo.

É claro, você tem direito de usar suas licenças poéticas e escrever frases bem longas quando conveniente. Apenas tome cuidado para não tornar isso um hábito. Cada escolha tomada deve contribuir para o resultado final.

7.     Preste atenção nas histórias dos outros

Por fim, um conselho que vai além da forma do seu texto: ouça as histórias que os outros têm a contar, até mesmo os estranhos por quem você passa na rua, até mesmo quando eles não estão conversando com você. (Sim, ouvir conversas alheias pode ser um excelente exercício para a escrita).

Se a sua única fonte de inspiração for você mesmo, é provável que seus livros não sejam lá os mais interessantes do mundo. Existem muitas histórias surpreendentes para se ouvir por aí e, mais do que isso, muitos jeitos de se expressar que você nunca teria imaginado.

Não só ouça. Anote.

Anote frases engraçadas que você ouve na rua por acaso. Anote as histórias que sua avó conta, anote com as palavras dela. Anote tudo de interessante que você ouve, por mais mundano e simples que pareça. Tudo isso vai contribuir para a sua criatividade e para a autenticidade dos seus textos.

E aí, escritor? Você usa algumas dessas técnicas na hora de escrever e publicar ebook? Comente aqui!

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