Não sei como escrever poesia…

Como escrever poesia? Ou como não escrever poesia? Hoje em dia, todos temos um pouco de poeta dentro de nós, mas expressar essa habilidade pode não ser tão simples quanto parece.

Em especial quando existem oportunidades como a autopublicação, definir a qualidade do próprio trabalho se torna uma tarefa essencial. Não precisamos mais de editoras para aprovar ou recusar nossas palavras.

A decisão de publicar livro é nossa, mas a responsabilidade pelo que publicamos também. E, com isso, as dúvidas e certezas, o compromisso com a nossa escrita.

Precisamos aprimorar nosso próprio trabalho. Não só escrever e reescrever, mas também editar até alcançar um nível profissional.

E como fazer tudo isso quando você nem tem certeza se sabe mesmo escrever poesia? Junto ao direito que todos temos à expressão, junto à capacidade que todos temos de escrever alguma coisa, vem também a insegurança.

Se todos tem um pouco de poeta, ao mesmo tempo parece que ninguém é. Então, como escrever poesia? Como aprender a fazer algo que parece tão natural? Como merecer o reconhecimento por nossas palavras?

1.     Entenda o que é poesia

Primeiro, o outro. Antes de escrever versos, é uma boa ideia tentar entender, de fato, o que é essa tal de poesia.

A resposta para essa dúvida já foi bem mais fácil de responder. Poesia era aquele tipo de texto em verso regulado por métrica e com rimas no final. Bem simples.

Hoje, por outro lado, poesia pode ser muito mais. Nem todo poema (a unidade da poesia), precisa de métrica ou rimas. Há muito mais liberdade para explorar outras estruturas e se livrar de amarras.

Na verdade, você pode até usar o formato da poesia para colocar suas palavras dentro de alguma caixinha, chama-se poesia concreta. Assim:

Eu sou um poema

Dentro de alguma

Caixa improvisada

O fato é que a poesia não é prosa. Prosa que vem em frases, em parágrafos, capítulos. A poesia vem em versos e estrofes. Tudo bem, ela pode ser longa ou curta, rimada ou livre, mas verso ela tem.

E, ainda que a poesia não precise ser regrada, ela tem diversos padrões e tendências. Por exemplo, podemos falar de poesia como linguagem condensada.

Enquanto a prosa usa longas frases para descrever algo ou transmitir uma mensagem, a poesia o faz com economia de palavras. Uma das consequências é a grande margem para interpretação que a poesia deixa, assim como um certo mistério de quem revela pouco.

Visando o lado mais tradicional, há também toda uma série de modelos de rima e métrica diferentes que podem ser usados e abusados na poesia.

2.     Encontre a sua poesia

Para escrever poesia, o caminho é descobrir o que é poesia para você. Existem diversas definições do que é poesia e, especialmente, do que é boa poesia, mas nenhum acordo universal quanto ao assunto. Nenhuma regra absoluta que sobreponha a sua própria criatividade.

A Bibliomundi acredita que todos têm o direito de se expressar. Nossa ideia é permitir a você publicar livros de todos para todos, e a sua poesia única cabe nisso.

Então, para começar bem, pense no conceito de poesia que mais agrada você, que melhor atende às suas expectativas. Pode ser poesia concreta das mais mirabolantes ou um perfeito parnasianismo, que usa a bela forma para falar sobre assuntos quaisquer.

3.     Escreva a sua mensagem

O próximo passo entra, novamente, nas grandes discussões sobre poesia. Nem todo poeta acredita que poesia precisa falar sobre algo em específico. Mas é sempre uma boa ideia ter algum tipo de musa inspiradora para se focar ao escrever. Assim, maior a garantia de que as suas ideias chegarão em algum lugar.

Assim como na prosa, e já explicamos isso no artigo “Iniciando o primeiro livro”, é uma boa ideia deixar as críticas e revisões para um momento posterior. Agora, dedique-se à fase mais solta do processo criativo. Deixe as palavras fluírem. Apenas deixe.

Recomendamos, inclusive, que ao menos nas primeiras poesias você foque um pouco mais na forma do que na mensagem. O motivo é simples: vai ser um grande trabalho para conquistar um resultado um pouco forçado.

Pense bem, não é chato quando alguém parece estar tentando impressionar com você usando palavras “difíceis” e conceitos hiper “intelectuais”? O esforço para tornar sua poesia uma obra “poética” costuma ter quase o mesmo efeito. Relaxe. Sua poesia já vai se poesia de qualquer forma.

4.     Revise o seu poema

E, como sugerimos anteriormente, a hora da revisão tem que chegar em algum momento. Na poesia, contudo, esse processo é um pouco diferente, pois poemas têm prioridades diferentes da prosa.

Além de evitar os erros gramaticais, você precisa se atentar a outras questões. E, sim, licenças poéticas são permitidas quando elas realmente fazem alguma diferença no poema.

Algumas dicas para aumentar a qualidade do seu poema:

Não seja redundante.

Por exemplo, todos sabemos que o céu é azul e a grama é verde. Se você tentar descrever poeticamente a linda cor azul do céu, por mais bonito que pareça na hora, o mais provável é que seu leitor acredite que seu poema é pura e simplesmente redundante.

Como fugir disso? Que tal falar o que não é óbvio? Há um exemplo muito interessante é a letra de Tempo Perdido, da banda Legião Urbana:

Veja o sol dessa manhã tão cinza

A tempestade que chega é da cor dos teus olhos

Castanhos

Além de atribuir cores a elementos abstratos, como a manhã, fazendo uma associação entre o céu cinza que existe neste período, o letrista subverte a expectativa do ouvinte. Tempestades não são castanhas, mas o sentimento transmitido pelos olhos castanhos da personagem é semelhante ao de uma tempestade, por assim dizer.

Não force originalidade.

Todo autor quer dicas para escrever um livro original em algum momento, mas a originalidade não é bem o que parece. De certa forma, tudo já foi feito e é quase impossível inovar e, sinceramente, isso não é algo ruim.

Podemos nos reinventar o tempo todo e, acima de tudo, você possui uma voz única que nunca pertenceu nem nunca pertencerá a mais ninguém. Essa dose de originalidade você já tem. E a qualidade do seu texto você pode se dedicar para conquistar, e é o que realmente importa.

Mas, entenda: mais do que dizer que alcançar a originalidade é impossível, estamos afirmando que, às vezes, é uma péssima ideia.

Tudo bem, rosas são vermelhas, violetas são azuis. Não vale a pena tentar subverter essa ideia com cores mirabolantes só para ser original. É uma questão de valorizar o que realmente importa: sua voz, suas ideias, seus sentimentos. Não um conceito utópico.

Reduza ao máximo e escolha bem as palavras.

Por fim, é importante se ater à ideia de poesia como linguagem condensada. Mesmo que o seu poema seja bem longo, no final das contas, a poesia continua se destacando da prosa por envolver uma escolha cuidadosa e precisa das palavras.

Menos é mais. E o “menos” que sobrevive aos cortes precisa expressar com exatidão a mensagem que você deseja transmitir.

Pense nas nuances entre uma palavra e outra. Nenhum termo é capaz de substituir completamente o outro, não existem sinônimos perfeitos. Embora ambas as palavras “menino” e “garoto” se refiram a jovens pessoas do gênero masculino, não se fala “menino de programa” e sim “garoto de programa”, por exemplo.

As palavras vão além do significado óbvio. Elas têm um peso social. Têm sonoridade. E, às vezes, têm mil possibilidades diferentes de significado que atravessam uma a outra, contribuindo para a complexidade do seu poema.

E agora, autor? Já sabe como escrever poesia? Deixe um comentário com a sua experiência!

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