Mulheres na literatura

Já não é mais outubro rosa, mas todo mês é mês e todo dia é dia para pensar nas mulheres. Por isso, hoje vamos falar sobre as mulheres na literatura.

Mulheres que nem sempre puderam publicar livros, que nem sempre tiveram voz, mas que agora não só podem como devem se expressar livremente. A autopublicação é um caminho. Por meio dela, todos podem se tornar autores independentes. E é exatamente essa a ideologia da Bibliomundi: oferecer as melhores ferramentas para que a literatura seja de todos para todos.

Quando pensamos em mulheres na literatura, não podemos nos prender somente no agora. Como disse Virginia Woolf, uma das mais importantes autoras do modernismo inglês e militante pelos direitos das mulheres em uma época em que somente os homens tinham acesso à educação superior, “se somos mulheres, pensamos no passado através de nossas mães” (tradução própria).  A tradição das mulheres na literatura tece a rede cultural na qual as autoras contemporâneas se formam.

No entanto, não podemos olhar apenas para o passado também. O trabalho de grandes mulheres como Virginia Woolf foi feito pensando nas “filhas” por vir, que teriam mais liberdade, mais voz, mais direitos. Que publicariam seus próprios livros e teriam acesso à educação.

Um dos exemplos mais evidentes de mulher na literatura contemporânea é J.K. Rowling. Autora da série Harry Potter, sua obra é muito mais do que um best-seller, trata-se de um marco cultural, que introduziu incontáveis jovens e crianças para o mundo da magia. Isto é, da literatura. Todavia, a jornada de Joanne (Kathleen) Rowling não foi sem suas dificuldades. Seu manuscrito foi recusado diversas vezes e, para finalmente poder publicá-lo, ela optou pelo pseudônimo “J.K. Rowling”, que ocultava o seu primeiro nome, notoriamente feminino. Para ela, não revelar de imediato que era uma mulher foi necessário para que aceitassem seu trabalho.

Harry Potter e a Pedra Filosofal foi publicado em 1997. Não foi há tanto tempo assim. Contudo, foi tempo o suficiente para mudanças. Cada vez mais mulheres tornam-se autoras profissionais. Ainda que nossa grande tradição literária tenha mais nomes de homens do que de mulheres, aos poucos as mulheres conquistam mais espaços.

Sem dúvidas, a autopublicação e o cenário independente contribuem para essa mudança. Plataformas como a Bibliomundi, que são de todos para todos, permitem que mulheres publiquem seus livros sem censura. Nós não esquecemos dos nossos casos de sucesso, autoras que sempre temos orgulho de mencionar e elevar.

É o caso de Bella Prudêncio, que ganhou o destaque em nosso blog pela primeira vez com Sebastian, o qual a rendeu uma entrevista exclusiva com a Bibliomundi, e agora com Vibração Incendiária. Na FLIP 2018, um dos mais importantes eventos literários do Brasil, Prudêncio marcou presença como nossa convidada especial, discutindo temas importantes como o feminismo e, é claro, a presença da mulher na literatura.

Hoje trazemos também outro destaque: Letícia Black, uma autora versátil, com forte presença no gênero Young Adult e que já conquistou cerca de 10.000 vendas de ebooks, com destaque para suas séries Jogando os Dados e Frutos do Pecado. Com uma pegada coloquial, Black imediatamente conecta o leitor (ou leitora) ao enredo e às personagens. Sua narrativa é envolvente e basta começar a leitura para se prender.

Tão importante quanto suas histórias, é a devoção que dedica às suas leitoras. Na dedicatória de Frutos do Pecado, encontramos as palavras:

Eu não me lembro o seu nome.

Te encontrei em um shopping qualquer. Você me conheceu pelos meus escritos, me pegou pela mão e desabafou sobre sua vida. Sobre os abusos que tinha sofrido.

Foi a primeira vez que entendi que conversava com as pessoas através do que escrevia e que você esperava que eu respondesse, talvez com uma solução para os seus problemas, o que não pude te dar naquele dia.

Mas escrevi esse livro. E ele foi para você. E para todas as outras meninas que não tiveram a oportunidade de me perguntar, mas que esperavam que eu dissesse.

— Vocês não estão sozinhas.

Autoras como Bella Prudêncio e Letícia Black não pensam apenas em escrever o que quiserem. Elas sabem que do outro lado há uma mulher lendo. Uma história que se enreda com a dela. Múltiplas histórias, na verdade. E onde há leitoras, nascem autoras. São filhas e mães.

Seus livros exploram a sexualidade feminina com todas as delícias que a ficção erótica pode oferecer. Eles exploram também as dificuldades que uma mulher pode enfrentar, como é o caso da protagonista de Frutos do Pecado, cuja trajetória envolve a sobrevivência e superação após o abuso.

E, na trajetória das autoras, a autopublicação se enlaça com outras mídias. Elas têm voz ativa em blogs, publicam ebooks e, com isso, atraíram também a atenção de editoras, que publicaram livros impressos, mostrando que as mulheres na literatura podem conquistar todos os espaços.

Não se resume ao gênero Young Adult ou à ficção erótica. As mulheres podem publicar livro de poesia, sejam as sensibilidades poéticas de Angela Lit ou as palavras concretas, viscerais e feministas de Rupi Kaur e Ryane Leão. As mulheres podem publicar ebook de literatura infantil, mostrando desde cedo que nem toda garotinha precisa ser uma princesa, e que nem toda princesa precisa ser salva por um príncipe encantado. As mulheres podem escrever não ficção e compartilhar seu enorme conhecimento com o mundo. As mulheres podem escrever livros de ficção científica, romances históricos, livros de fantasia, biografias, autobiografias, tudo.

As mulheres podem tudo.

E aí, autora? Já publicou um livro hoje?

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