Literatura LGBTQ+

No artigo Mulheres na Literatura, abordamos as dificuldades que as mulheres enfrentavam (e ainda enfrentam) para publicarem seus livros em um mundo dominado por homens. Basta parar um instante para pensar nos maiores nomes da literatura para percebermos a desigualdade. Quando se trata do espaço oferecido a autores e obras com temática LGBTQ+, o mesmo problema se apresenta.

Nossa tradição literária não é completamente livre de pessoas LGBTQ+. Autores como Mário de Andrade e Álvares de Azevedo eram homens que amavam homens, mas devido ao enorme preconceito e retaliação que sofreriam na época, não assumiram sua sexualidade para o grande público. Somente após suas mortes, com a publicação de suas cartas pessoais, que seus amores e preocupações foram revelados. Quantos outros autores não viveram suas identidades em segredo também?

A luta pela representatividade LGBTQ+ ainda é um trabalho em progresso. Talvez na literatura, um meio com menor visibilidade para o artista, seja um pouco mais simples assumir sua sexualidade ou identidade de gênero, mas até hoje celebridades temem perder suas carreiras caso “saiam do armário”.

Quando o assunto é publicar livro com temática LGBTQ+, o espaço no mercado ainda é escasso. Existe um grande estigma em cima dessas histórias, elas têm uma categoria toda só para si. A pergunta é: o que é uma história LGBTQ+? Você pode responder “é uma história com protagonista LGBTQ+”, mas qual seria o gênero? O que acontece nessa história, tipicamente? É uma história de amor?

A verdade é que a categoria “LGBTQ+” nem ao menos define como será o protagonista. Pode ser um homem trans, uma mulher cisgênero assexual, uma pessoa não-binária, entre outros, vivendo qualquer tipo de história, seja de amor ou aventura. Histórias essas que podem ser voltadas desde o público adulto até o infantil.

A Publishers Weekly, importantíssima revista do mundo editorial, fez uma enquete em 2015 perguntando a figuras do mercado editorial, de autores a blogueiros, o que gostariam de ver na literatura LGBTQ+. As respostas, embora variadas, ecoavam a mesma ideia: o desejo por mais diversidade, interseccionalidade, quantidade.

O desejo por mais obras com protagonismo de todas as letrinhas da sigla. O desejo por mais obras com protagonistas LGBTQ+ que também sejam parte de outras minorias. O desejo por mais obras LGBTQ+ cujos enredos não girem em torno da sexualidade ou identidade de gênero das personagens, mas se aventurem em gêneros variados, desde história de terror até romance histórico. O desejo por mais obras LGBTQ+ voltadas também para o público infantil. O desejo por mais obras LGBTQ+ com finais felizes.

O problema da representatividade LGBTQ+ na literatura não é apenas a sua escassez, mas a maneira que ela costuma ser realizada. Por exemplo, para muitos autores, ter uma personagem LGBTQ+ significa o mesmo que escrever uma tragédia: rejeição dos pais, amores falidos, morte violenta ou suicídio. Havia uma época em que fazia sentido escrever histórias assim. Era uma denúncia.

Hoje em dia, quanto mais espaço a comunidade LGBTQ+ encontra na sociedade, mais ela enxerga que suas histórias podem sim ter finais felizes. E que, mesmo que suas vidas pessoais não sejam lá essas maravilhas, a literatura pode ser um refúgio que mostra a possibilidade de um mundo melhor à sociedade. É claro que existem histórias feitas para serem tragédias, mas nem todas são assim. Nem todas precisam ser assim.

Tudo isso pode ter uma solução. Basta escrever histórias com representatividade LGBTQ+ que não se rendam a esses estereótipos. Você pode realizar os desejos dos autores, editores, críticos e blogueiros entrevistados pela Publishers Weekly. Você pode atender os desejos de jovens LGBTQ+ que querem se enxergar na literatura que consomem.

Na mídia, aos poucos começamos a enxergar histórias LGBTQ+ que fogem desses limites. Temos filmes de comédia-romântica LGBTQ+, como Love, Simon. Temos representatividade LGBTQ+ em desenhos animados infanto-juvenis como Hora de Aventura e Steven Universe, sendo o último criação de uma mulher não-binária bissexual. E, nos ebooks, temos incontáveis obras de autores independentes que exploram sua criatividade sem se preocupar com o padrão.

O espaço oferecido a autores e livros com temática LGBTQ+ nas editoras tradicionais pode ser escasso, mas isso não significa que não há público interessado nessas histórias. A comunidade LGBTQ+ está cheia de leitores sedentos por livros que os façam justiça. E sabe onde você pode publicar a história que quiser sem medo de não ser aprovado? Aqui mesmo, na Bibliomundi.

Acreditamos que a literatura é de todos para todos, e isso inclui a comunidade LGBTQ+. A autopublicação de ebooks permite que autores LGBTQ+ escrevam suas histórias com total liberdade criativa, sem precisar temer qualquer tipo de censura.

Você pode publicar ebook de ficção científica sobre uma mulher trans lésbica mercenária que quer descobrir porque foi abduzida quando criança. Pode escrever um livro de fantasia onde um jovem adolescente é transportado para outra dimensão onde se apaixona por um príncipe guerreiro. Pode escrever o que quiser.

Todos os escritores merecem o espaço e a liberdade para escreverem suas histórias. Todos os leitores merecem se enxergar nessas histórias. E aí, autor? Está esperando o que para escrever um livro com representatividade LGBTQ+?

Caso você tenha interesse em publicar ebook LGBTQ+ mas não faça parte dessa comunidade, dê uma olhada no nosso artigo Representatividade e Leitores Sensíveis.

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