Escrevendo um poema em 10 passos

Se você acompanha o blog da Bibliomundi, já conhece nossas dicas de autopublicação para quem acha que não sabe como escrever poesia. Muito bem. Agora é hora de avançar mais uma vez com o nosso guia para escrever um poema passo a passo.

Saber como escrever um poema não é nenhum mistério, nem uma dádiva divina. Praticamente qualquer pessoa é capaz de escrever poesia, desde que se dedique à tarefa. Afinal, disciplina é importante para um autor profissional. Por isso, vamos dar dicas para você escrever um poema de maneira mais profissional, que ajudarão você a desenvolver uma técnica.

O objetivo é fazer uma transição de um autor que escreve somente para si a um autor que escreve para o leitor. Um autor que quer mais do que expressar seus próprios sentimentos, mas provocar emoção no outro. Um autor que sabe transmitir ideias e se comunicar por meio dessa linguagem condensada e enigmática que é a poesia.

Se você quer publicar ebook com suas poesias, siga as nossas dicas:

1.     Tenha um objetivo em mente

O primeiro passo para escrever um bom poema é ter um objetivo. Afinal, sem um destino, você não pode chegar a lugar algum.

A poesia é uma linguagem concisa e, como qualquer obra literária ou projeto em geral, é uma boa ideia você saber onde quer chegar. Caso contrário, suas palavras serão vagas.

Para ajudar nesta tarefa, pense no que você quer que o seu poema “faça”. Que tipo de reação você quer causar no leitor? Há algo em específico que você queira descrever? As respostas podem ser diversas. Por exemplo: “descrever uma experiência pessoal”, “protestar contra injustiças da sociedade”, “exaltar a beleza da natureza”, “provocar desconforto no leitor”.

Escolha um objetivo principal e guarde-o com você. Esse será o elemento central do seu poema.

2.     Expresse o seu tema

Muito bem, você tem um objetivo, um elemento principal. Já está próximo de ter um tema definido para o seu poema.

Um tema pode ser considerado a combinação de uma ideia com uma opinião. Por exemplo, o “amor” não é um tema por si só. “Amor é sofrimento”, por sua vez, já pode ser considerado um tema, ainda que um pouco pessimista.

O tema é uma afirmação. Uma ideia sobre um assunto. E, muitas vezes, podemos inclusive observar temas que persistem por movimentos literários inteiros. No romantismo britânico, por exemplo, havia o tema recorrente de como o homem se desconecta da natureza na vida adulta e que a literatura poderia ser o elo perdido.

Esse tema caracterizava o movimento e trazia beleza e significado para os poemas. Ele era uma expressão da angústia pessoal dos poetas que transpassava até os leitores. Em outras palavras, o tema torna a poesia mais tangível, fortalecendo a conexão com o leitor.

Torne o seu objetivo em um tema e expresse suas ideias. Valerá a pena.

3.     Não seja clichê

Todos têm o direito de se expressar como quiserem. A beleza dessa liberdade é justamente a grande diversidade de ideias que ela nos oferece. Logo, não tem graça se todo autor escrever de maneira igual aos outros, repetindo os mesmos clichês.

Claro, não estamos sugerindo que você tente escrever um livro original por completo. Pode-se dizer até mesmo que a originalidade não existe, considerando a quantidade de autores que existem e a baixa probabilidade de produzir algo que nunca foi feito antes.

Mas existem repetições e repetições. Algumas são saudáveis, outras são mais do que desnecessárias. O clichê pode ser considerado tudo aquilo que já foi tão utilizado que não contribui mais para a obra. Ele não causa impacto, não agrega valor, não traz significado.

Na poesia, os clichês muitas vezes se apresentam como frases ou expressões “prontas”. Um exemplo bastante clássico é “rosas são vermelhas, violetas são azuis” ou versos que começam com “amar é”.

Como fugir disso? Primeiro, pense se você já não ouviu diversas vezes essa mesma expressão que você pretende escrever. Se sim, ela deve ser um clichê. Então, reflita sobre o significado por trás dessas palavras batidas. Você pode transmitir essa mesma mensagem de outra forma. E pronto. Clichê evitado.

4.     Não seja melodramático

Ah, o melodrama. Sedutor e repulsivo ao mesmo tempo, ele atrai os autores para, então, afastar os leitores. Quando escrevemos, muitas vezes queremos transmitir e provocar sentimentos e, sendo esse o caso, é quase irresistível a chamada do melodrama. Saber como escrever um livro emocionante não é simples.

Queremos nos jogar nos sentimentos, expressar amor, paixão, ódio e indignação. Mas veja, a partir do momento que isso compromete a leitura, não vale a pena. E o fato é: quando um texto apela excessivamente para o emocional, o leitor tende a se rebelar contra as intenções do autor e sentir o oposto do que foi planejado.

Dizem por aí que, quando uma personagem chora, o leitor não precisa chorar por ela. Fique atento, pois isso pode se aplicar aos seus leitores.

5.     Estimule todos os sentidos

A poesia é muito mais do que texto, palavras. Ela deve estimular cada sentido do corpo humano. Visão, audição, olfato, toque, paladar e também o que vai além, como a nossa intuição e a maneira como absorvemos a realidade em constante movimento como um todo.

A beleza da literatura está justamente na capacidade de levar o leitor para outro lugar, onde cada sentido estará aguçado e nossa percepção estará voltada para os dilemas e conflitos levantados na obra.

Para provocar esse efeito no leitor, você deve escrever de maneira muito visual, imagética. Explore o cenário, explore os movimentos, explore os sons, os cheiros, cada elemento que leva o leitor até seu poema.

6.     Use figuras de linguagem

As figuras de linguagem existem para enriquecer o idioma e tornar a nossa comunicação ainda mais vívida. Nada melhor do que usá-las na poesia, não é mesmo?

Um destaque especial vai para as comparações e metáforas. Isto é, quando afirmamos que algo ou alguém é parecido com outro ou quando substituímos um termo por outro a fim de provocar essa comparação, respectivamente.

Por exemplo, “meu pensamento é um rio subterrâneo” é uma metáfora. No caso, o pensamento não pode ser um rio subterrâneo, mas há semelhanças, como o fluxo de consciência que se assemelha ao fluxo constante do rio e a individualidade dos pensamentos, que não podem ser ouvidos por mais ninguém, assim como o rio não pode ser visto.

Quando usadas sabiamente, as figuras de linguagem podem enriquecer o poema ao tornar tudo menos óbvio e instigar o pensamento crítico do leitor, que possivelmente precisará refletir para compreender as semelhanças que validam determinadas metáforas, por exemplo.

7.     Não use palavras abstratas

Sim, a poesia é linguagem condensada e, por isso, muitas vezes soa misteriosa. Isso não significa que, para saber como escrever um poema, você precise ser abstrato o tempo inteiro. Muito pelo contrário.

É uma boa ideia utilizar palavras concretas que descrevem elementos reais em vez de apelar para o abstrato. “Liberdade”, “sofrimento”, “felicidade” e “paixão” são ideias abstratas, por exemplo, que inclusive podem ter significados muito diferentes para cada pessoa.

Em vez disso, sempre que possível utilize palavras concretas, como “árvores”, “sorrisos”, “calor”, “gatos”. Dessa forma, o leitor poderá analisar o cenário que você criará e, a partir dessa imagem, desenvolver seus próprios sentimentos abstratos em relação à obra.

A princípio, pode parecer impossível substituir palavras abstratas por concretas, mas é mais simples do que você pensa. Basta seguir o preceito de “show, don’t tell”. Isto é, descrever de maneira imagética algo que represente um sentimento abstrato.

Não diga “Ela estava feliz”. Uma ideia melhor seria dizer “O seu sorriso se abriu como um lírio na primavera”.

8.     Saia da caixinha!

Por que se conformar a uma maneira padronizada de enxergar o mundo? Muitas vezes a graça da vida e a beleza da poesia é justamente a habilidade do poeta de enxergar a realidade de forma diferente, um pouco fora da caixinha.

Subverta as expectativas do leitor, revolucione sua visão de mundo. Mostre que é possível refletir de maneira diferente sobre elementos que fazem parte do nosso dia-a-dia. Escrever histórias surpreendentes na sua poesia é uma forma de marcar o mundo com a sua visão única da realidade.

9.     Tome cuidado com as rimas

Infelizmente, rimar com excelência não é tão fácil quanto parece. Se não tomarmos cuidado, nossas rimas parecerão dignas de uma música infantil. No geral, não é bem esse o efeito que os poetas querem causar.

Logo, apesar das aventuras com rimas serem necessárias para o desenvolvimento de um poeta, recomendamos que, pelo menos no começo, você evite usar rimas demais. Vá com calma. Experimente o verso livre e, aos poucos, implemente elementos formais complexos na sua poesia.

Nas mãos de um poeta iniciante, existem elementos mais importantes do que a rima e a métrica. Foque nas palavras que escolhe, na mensagem que transmite, nos temas. E, então, conforme ganhar experiência, experimente rimas novas.

10.Revise sua poesia

Como toda obra literária, a poesia também precisa ser revisada. Talvez até mais do que a prosa, afinal, na poesia, cada palavrinha deve cumprir um papel específico no texto. Cada elemento deve ser essencial, até a última vírgula.

Assim como ao editar o próprio livro, recomendamos que você tome certas medidas antes de revisar. A primeira é deixar o poema de lado por uns tempos. Esqueça dele e, então, o revise com novos olhos e ouvidos, como se nunca o tivesse lido antes.

Leia em voz alta. Grave o poema e corrija. Mude sua experiência o máximo possível e não tenha medo de reescrever, mas sempre anotando as modificações sem descartar as versões anteriores.

E, é claro, é sempre válido pedir a opinião de outra pessoa. Especialmente se você tiver contato com pessoas que apreciam a poesia e tenham opiniões imparciais, com uma dose construtiva de crítica e sem medo de magoar o outro.

Aceitar essas críticas sem se desanimar é uma excelente maneira de evoluir. Aprenda com o que foi dito e siga melhorando seu poema até a hora de dar asas para sua pequena obra. E, então, escreva mais.

E aí, autor? Você tem um método para escrever poemas? Compartilhe suas experiências com a Bibliomundi!

1 comentário

  1. fran

    eu já escrevo poesias a um bom tempo mas na realidade não sei se esta certa ou errada quem decide é o leitor,quando eles ler e comentam dizem que gostaram.

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