Editoras para ficar de olho em 2020: um papo com a editora Plutão e o selo Transversal

A Bibliomundi tem um compromisso com a literatura de todos para todos. Isso significa que promovemos a autopublicação de ebooks escritos por autores independentes, mas também que apoiamos o trabalho de pequenas editoras que estão lutando para conquistar espaço no mercado.

Trazemos então, dois destaques para o artigo de hoje. O selo Transversal da editora Oito e Meio e a editora Plutão, que estão fazendo um excelente trabalho na publicação de autores brasileiros em literatura de nicho.

Fundada em 2010 por Flávia Iriarte, a editora Oito e Meio conta com mais de 100 títulos em seu catálogo e tem grande interesse na publicação de narrativas breves, como a crônica, a poesia, o conto. O selo Transversal tem como objetivo descobrir novos autores com a vocação para se comunicar com o grande público através da literatura de gênero. Confira a conversa da equipe Bibliomundi com Flávia:

BM — Como você definiria o selo Transversal?

Flávia Iriarte — O selo Transversal foi criado com o intuito de suprir uma lacuna que percebi no mercado editorial brasileiro: a de uma literatura de alta qualidade que, ao mesmo tempo, tenha potencial para comunicar com o grande público. 

Acho que a produção literária nacional das últimas décadas perdeu, em parte, a capacidade de se comunicar, de chegar ao coração das pessoas. 

Pense em autores como Rubem Fonseca aqui no Brasil, ou como Neil Gaiman nos EUA. Ambos fazem uma ficção de alto nível, mas dentro de uma estrutura com a qual o leitor consegue se relacionar com alguma facilidade. 

Sei que é uma proeza difícil de alcançar. Mas é esse o desafio do selo: encontrar autores assim. E acho que temos conseguido.

Além disso, os autores selecionados para publicação na Transversal passam por um processo de treinamento para aprenderem a se posicionar no mercado de forma profissional e proativa.

No curso Escritor Profissional, eles adquirem noções de Marketing Digital, aprendendo como criar público leitor para os seus livros através da produção de conteúdo nas redes sociais.

Nosso lema é: não existe escritor sem leitor. E, por isso, todo autor Transversal é constantemente estimulado e recursado para formar seu público.

Nosso autor Juan Jullian tem mais de 20.000 leitores. Seu primeiro livro “Querido Ex,” teve mais de 15.000 downloads em dois dias, em uma ação de marketing viral.

Nossa autora Andressa Tabaczinski já teve mais de 5.000 cópias vendidas do seu primeiro título, “Crisálida”, entre livros físicos e ebooks.  

BM — Quais os planos para 2020? Pode ser em relação a previsão de lançamentos ou algum projeto específico. 

FI — Estamos com ótimos lançamentos agendados para o ano que vem, em diferentes gêneros. Quase todos autores descobertos dentro dos cursos do Carreira Literária. Em breve, anunciaremos os lançamentos de 2020. 

Outra novidade muito legal é que nosso autor Juan Jullian acabou de ser convidado pelo selo Galera, da Record, para reeditar com eles o livro “Querido Ex,”. Essa é uma grande vitória pra gente, uma vez que o objetivo maior do selo é descobrir e lapidar talentos e servir para eles como um trampolim para se lançarem no mercado. 

Além disso, Carreira Literária acaba de inaugurar o seu primeiro Clube de Leitura Online

Nossos objetivos com essa iniciativa são contribuir para a formação de leitores e estimular a leitura e o debate acerca de obras ficcionais brasileiras.  

Apenas no primeiro mês de funcionamento, nosso clube já conta com mais de 170 membros ativos. Nossa expectativa é até o final de 2020 ter mais de 1.000 leitores participantes. 

BM — Quais gêneros, nichos ou perfil de autores vocês apostam para 2020?

FI — Temos visto muita coisa potente nas diversas expressões literárias do humor. O humor zombeteiro, o humor ácido, humor em quadrinhos, humor misturado com horror, como nos filmes de Jordan Peele. 

Acho que o humor ainda é uma das defesas mais saudáveis e criativas para existirmos em tempos difíceis. E algumas das melhores coisas que li em 2019 o utilizam de alguma forma. Acho que continuarei vendo muita coisa nesse sentido nos próximos anos. 

 

Fundada em 2018, a Plutão escolheu exclusivamente publicar ebooks de ficção científica no momento, concentrando-se em autores contemporâneos originais e clássicos esquecidos pelo mercado.

Confira na íntegra uma entrevista com André Caniato, diretor e editor chefe da Plutão:

Bibliomundi — Como a Plutão começou e qual a proposta editorial de vocês?

André Caniato —  A Plutão surgiu de uma frustração. Pode soar estranho, mas a ideia para a editora veio literalmente da frustração que eu (André Caniato, criador e editor-chefe) senti pela pouca valorização da ficção científica brasileira. Quanto mais eu lia sobre a história da nossa FC, mais eu ficava, bem, frustrado: eu não sabia de nada daquilo! Eu não conhecia nada do que havia sido produzido aqui, não fazia ideia de que tínhamos uma tradição desse gênero. Encontrar autores como Dinah Silveira de Queiroz e Roberto de Sousa Causo mudou a minha vida — e deu, efetivamente, origem à Plutão Livros.

Isso também faz parte, é claro, da nossa proposta. Queremos trazer para o mercado o que está fora de catálogo, queremos mostrar que a ficção científica, sobretudo a brasileira, está aí, existindo e resistindo há um tempão — e continua na ativa, continua sendo escrita, imaginada, respirada.

BM — Como foi o ano 2019 para vocês?

AC —  Houve alguns percalços, mas acredito que tenhamos conseguido desenvolver melhor nossas linhas editoriais. Publicamos um clássico universal no primeiro semestre — uma utopia que, até então, era inédita em terras brasucas —, além de dois romances nacionais e dos primeiros volumes de uma nova coleção voltada à celebração da nossa ficção científica. Parte disso é uma preparação para o que vem aí em 2020.

BM — Pelas redes sociais é possível perceber que vocês já tem uma ótima interação com leitores. É uma coisa do segmento sci-fi ou é um trabalho pensado de vocês?

AC — É um misto de trabalho pensado com sorte, na verdade, e tem muito a ver com a experiência pessoal dos envolvidos com a internet e a tecnologia. A Plutão Livros é filha da geração millennial, querendo ou não, que cresceu junto do avanço e da popularização das redes. Mas ainda queremos melhorar e muito nossa presença on-line — principalmente no Facebook e no Instagram.

BM — Os projetos gráficos das capas e da comunicação visual de vocês é bem bacana. Como despertar o desejo de um público que vibra com projetos gráficos impressos para que eles tenham a mesma percepção com ebooks?

AC — Acho que um dos objetivos mais ambiciosos da Plutão é desfazer a ideia de que e-book é “menos”, de que é um formato substituto, que só quem não consegue comprar o físico vai apelar para o digital. Um e-book pode, sim, ser bonito, pode ser bem pensado, pode-se haver dedicação a ele.

Não sei se estamos próximos de realizar esse objetivo — nem sei se é possível fazer isso —, mas acho que todo mundo entende a mensagem quando vê os livros da Plutão, que estão cada vez melhores.

BM — Quais os planos para 2020? Pode ser em relação a previsão de lançamentos ou algum projeto específico.

AC — Tem MUITA coisa vindo por aí. 2020 vai ser um ano diferente de tudo o que a Plutão fez até agora, com mais livros, mais profissionalidade, mais ousadia. Vai ser também uma prova de fogo para a editora, por assim dizer. São cerca de vinte publicações planejadas, com novidade todo mês, com muitos autores contemporâneos escolhidos a dedo para mostrar o melhor que nossa FC tem a oferecer. Além disso, a coleção ZIGUEZAGUE vai continuar, debruçando-se principalmente sobre a Terceira Onda da ficção científica brasileira.

 

Para conhecer melhor os trabalhos dessas editoras, você pode acessar os catálogos nos sites da Plutão e do selo Transversal, além de se inscrever no site Carreira Literária para participar dos cursos e concursos promovidos em parceria com a editora Oito e Meio. Apoie quem apoia a literatura nacional!

2 Comentários


  1. Tenho um livro de crônicas autodidata, que publiquei através da Editôra Pragmatha (RS) de Sandra Veronezzi. Hoje ela está em São Paulo. Pena que ela fez a editoração mas não a divulgação que ficou sob minha responsabilidade. Resumo: nenhuma venda. Fiz 200 livros e doei a maior parte.
    Foram 125 cronicas, mas destas algumas eu tiraria caso publicasse novamente. Mas tenho uma nova leva de cronicas feitas após o primeiro livro. A ideia seria republicar o primeiro acrescentando as novas cronicas. O que acham? E qual sua opinião sobre a aceitação do mesmo?

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