Dicas para escrever um livro de fantasia

Escrever um livro de fantasia é o sonho de muitos aspirantes a escritores. Isso provavelmente se deve ao impacto da literatura fantástica infanto-juvenil na cultura pop, com o sucesso atemporal de títulos como O Senhor dos Anéis de J.R.R. Tolkien e Harry Potter de J.K. Rowling. Graças à fantasia, muitos autores foram apresentados à literatura quando ainda jovens e, através desse gênero, se apaixonaram pela leitura e eventualmente a escrita.

A fantasia tem um charme único, que dialoga com o escape da realidade que a literatura nos proporciona e nos leva para terras distantes onde o impossível é possível. Não é a toa que o gênero fantasia é proeminente nos livros para o público infanto-juvenil. A graça da fantasia está em muito atrelada à nostalgia de viver e relembrar o faz de conta das crianças.

Muitos autores também se interessam por escrever um livro de fantasia pela oportunidade de criar um mundo inteiramente seu, onde você cria as próprias regras. Se é esse o seu objetivo, é bom estar preparado para arregaçar as mangas e trabalhar duro. Você agora terá de criar um mundo inteiro, e essa não é uma tarefa simples.

Aprenda tudo sobre o gênero para escrever um livro de fantasia

Caso você tenha pensado que não teria que pesquisar para escrever só porque o seu livro não se passa no nosso mundo, está muito enganado. É importante pesquisar antes de escrever um livro, não importa qual seja o gênero.

Embora a pesquisa para escrever um livro de fantasia seja mais leve do que, por exemplo, se fosse um ebook romance histórico, continua se tratando de uma obra de ficção que pertence a um gênero literário específico. Em outras palavras, existem certas expectativas que você deve atender e certos clichês que você deve evitar. Se você tem intenção de publicar ebook, deve pensar nos seus leitores, que merecem um livro bem-feito.

Quando o assunto é a pesquisa, a maior dica para escrever um livro de fantasia é ler grandes clássicos e sucessos do gênero. Comece pelos grandes nomes, como As Crônicas de Nárnia e O Senhor dos Anéis, e então siga para as obras que mais inspiram você no seu projeto atual. Por exemplo, se você quer publicar livro com temática mitológica em um cenário moderno, a série Percy Jackson é uma ótima referência.

Alguns pontos interessantes para observar nessas obras são:

  • Cenário – quais recursos o autor utiliza para criar um mundo complexo e apresentá-lo de maneira imersiva e cativante ao leitor?
  • Lógica interna – um mundo fantástico bem elaborado não obedece às mesmas leis que o nosso, mas tem regras próprias que fazem sentido dentro do seu contexto. Como funciona a lógica interna desse mundo?
  • Personagens – como as personagens interagem com esse cenário fantástico? O cenário influencia o desenvolvimento das personagens?

Escolha um tema fantástico para a sua história

Um dos pontos positivos de escrever um livro de fantasia é toda a liberdade criativa que esse gênero nos proporciona. Existem infinitas possibilidades de temas para uma história fantástica, que derivam desde o folclore e a mitologia até figuras que foram popularizadas pela cultura pop e, é claro, você também pode inventar “mitos” do zero.

Contudo, não é uma boa ideia tentar abraçar todo esse mundo de possibilidades em um único livro. Seria um projeto ambicioso demais, que levaria muitos anos para ser concluído ou não daria a devida atenção à sua própria mitologia.

Por isso, o ideal é escolher um tema fantástico para o seu livro, ou quem sabe combinar dois ou três temas diferentes, sem exageros. Escolher apenas um tema não significa que você terá que ficar preso a essa mesma ideia para sempre, mas que no projeto atual, é esse o seu foco.

Você terá tempo para escrever mais livros de fantasia no futuro, e pode até mesmo escrever uma série de livros que explora um tema diferente de cada vez. Por exemplo, a série de jogos God of War é baseada em grande parte na mitologia grega, mas o oitavo jogo da série retrata a mitologia nórdica. Tudo em seu tempo.

Qual a relação entre o mundo fantástico e o “mundo real”?

Ao escolher o tema, você deve pensar também no cenário da sua história e qual a relação entre ele e o “mundo real”. Isto é, um mundo onde as regras são parecidas com as nossas.

Muitos livros de fantasia utilizam o modelo do “portal”. Isto é, o protagonista vive em um mundo normal, que segue as mesmas regras que o nosso, e um dia atravessa um portal para um mundo fantástico. Um ótimo exemplo desse modelo é a série As Crônicas de Nárnia. No livro O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa, por exemplo, os protagonistas são transportados para o mundo fantástico de Nárnia ao se esconder em um guarda-roupa.

Há também livros de fantasia em que o protagonista acredita viver em um mundo normal, onde não há magia, nem nada do tipo, até que algo fantástico acontece e ele descobre que o mundo onde vive é bem diferente do que pensava. O livro Harry Potter se encaixa nesta categoria, embora tenha muitos elementos do modelo portal.

No caso de Harry Potter, os bruxos vivem no mesmo mundo que os trouxas (pessoas que não possuem magia), geograficamente, mas a sociedade bruxa se disfarça e segue regras próprias. Os “portais” estão escondidos por toda parte. Em uma estação de trem para trouxas no meio de Londres, encontra-se a plataforma 9 ¾ que leva os alunos para Hogwarts. E, caso os bruxos saiam da linha, suas ações podem ter consequências diretas para os trouxas.

Outro modelo, também muito popular, são os livros de fantasia que desde o começo se passam em um mundo totalmente fantástico, como é o caso d’O Senhor dos Anéis. No universo criado por Tolkien, temos histórias protagonizadas por hobbits, elfos, anões, magos e alguns humanos também.

Uma mistura interessante é criar um mundo alternativo onde todos os elementos fantásticos são considerados mitos até que algo mágico acontece. Foi o que George R. Martin fez nas Crônicas de Gelo e Fogo, a série de livros que inspirou Game of Thrones, onde observamos um mundo inspirado na nossa era medieval, mas com figuras fantásticas, que são consideradas apenas lendas.

Desenhe mapas, catalogue espécies e organize uma linha do tempo

Como já mencionamos anteriormente, escrever um livro de fantasia significa criar um mundo inteiro. Logo, você precisa ser minucioso e se organizar. Três aspectos importantes da organização lógica de um mundo são: geografia, história e biologia.

Você precisa ter uma boa ideia de como funciona a geografia do seu mundo fantástico. Suas personagens provavelmente vão viajar de um lado para o outro em alguma aventura épica, e se você quiser que o seu livro tenha o mínimo de consistência, esses mapas devem estar bem delimitados na sua cabeça.

Não sabe desenhar mapas? Não tem problema! Não é necessário fazer um mapa profissional para o seu mundo fictício. O importante é você conseguir entender a geografia desse mundo e conseguir transmitir esse conhecimento para os leitores. É claro, é útil anexar um mapa ao seu livro, assim como Tolkien fazia, mas não é obrigatório.

A história também é indispensável. Novamente, não é necessário anexar um livro de história ao seu ebook, mas pelo menos você deve ter esse conhecimento. Pense em desastres naturais, guerras, expansões territoriais, sistemas econômicos.

Considere também os aspectos sociais. Por exemplo, no mundo real há problemas como o racismo, que levou inclusive à escravidão do povo negro. No mundo bruxo criado por J.K. Rowling, esse tipo de preconceito foi representado pelo embate entre os bruxos “puro sangue”, que se casam apenas com outros bruxos, e os “sangue ruins”, que são os bruxos nascidos de pais trouxas.

Por fim, não se esqueça de pensar em quais tipos de espécies fantásticas vivem em seu mundo. Por acaso o seu mundo conta com animais iguais aos nossos, ou a fauna consiste de animais totalmente originais, como nas séries de jogos Pokémon e Final Fantasy? O seu mundo tem espécies humanoides? Isto é, criaturas com aparência quase humana, como elfos, anões e hobbits?

Pense em todos os aspectos mais importantes da biologia deste mundo fictício. Então, anote todas essas informações de maneira organizada. É interessante notar também como os aspectos biológicos, geográficos, históricos e sociais se interrelacionam.

Ao pensar em diferentes espécies, por exemplo, você precisará pensar em onde cada uma habita, e naturalmente deve ser um local com características condizentes à espécie. Por acaso essas espécies vivem em nações ou cidades separadas, como em O Senhor dos Anéis, ou todas tentam viver juntas em harmonia? É possível que exista um histórico de guerras e conflitos entre essas espécies? Todas essas informações são importantes e podem inclusive contribuir para as características individuais das suas personagens.

Descreva os cenários com riqueza e ofereça o contexto necessário

Não adianta nada desenvolver um mundo complexo se você não apresentar esse mundo ao leitor. Novamente, não estamos falando de escrever um livro informativo sobre os detalhes técnicos do seu mundo fantástico, mas sim de como transportar o leitor para esse mundo de maneira imersiva.

Em geral, nas dicas de autopublicação do blog da Bibliomundi, incentivamos a técnica do “show, not tell”. Ou seja, mostrar o cenário e os sentimentos das personagens ao leitor de maneira sensorial, e não simplesmente explicar de maneira direta. Ao descrever um ambiente, o autor explora os sentidos do leitor, ilustrando o aroma do lugar, a sensação de calor ou frieza da atmosfera, os aspectos visuais, os sons que preenchem o ouvido.

Contudo, quando se trata da história desse mundo fictício, nem sempre vale a pena aderir de forma restrita ao “show, not tell”. Muitas vezes é melhor explicar em um prólogo clássico qual o contexto em que o protagonista se encontra do que deixar o seu leitor completamente perdido.

Não há uma regra definitiva em relação ao que fazer aqui. A melhor dica para escrever um livro de fantasia que podemos oferecer é: não seja preguiçoso. Não escolha um caminho apenas porque é o mais fácil. Faça o melhor pelo seu livro. Tome as decisões que fazem mais sentido, que melhor contribuem para o enredo e desenvolvimento das personagens. Siga o caminho inteligente e escreverá um ótimo livro de fantasia.

E aí, autor? Já publicou um livro de fantasia? O que você acha desse gênero literário?

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