5 Dicas para ambientar sua história em um lugar que você nunca visitou

Há muitos escritores que acreditam piamente na máxima “escreva sobre o que você conhece”. Contudo, se todo escritor pensasse assim, dificilmente existiria ficção científica e ficção histórica, não é mesmo? E a fantasia, será que teria vez?

Escrever pode ser sobre trazer suas vivências para o papel, mas também pode ser sobre sonhar com o inalcançável. Uma das graças de ser escritor é poder viver outras vidas, outras experiências, andar em lugares distantes sem pisar no chão.

É óbvio que quando se trata da ambientação da sua história, recomendamos que você visite o lugar para tirar o máximo dessa experiência. Sabemos, no entanto, que isso não é sempre possível para todos e, mais do que nunca, sair de casa está difícil. Quem dirá viajar para terras desconhecidas?

Por isso, nas dicas de autopublicação de hoje, trouxemos dicas de como ambientar seu livro em um lugar que você nunca visitou. Pode ser um outro estado, pode ser um outro país. Para tudo há jeito.

1.     Crie moodboards em sites de fotos

Uma ótima forma de começar a captar o sentimento da sua história é através de moodboards. Isto é, uma seleção de fotos que serve como inspiração. Os moodboards podem ser bem abstratos e conceituais ou se concentrarem bastante em referências de outras obras de ficção.

Neste caso, recomendamos que você faça moodboards usando apenas fotos da locação do seu livro. Procure no Instagram, no Pinterest, no Tumblr e quem sabe até no Flickr (ei, o site ainda está de pé e cheio de fotos!) fotos da cidade que você tem em mente como cenário para a sua história.

E aqui fica uma dica fundamental: se você quer usar um lugar real como cenário para a sua história, seja específico. Escolha uma região, uma cidade. Quanto mais você afunilar, menores as chances de cometer gafes.

Não pense, por exemplo, “hmmm… vou fazer minha história se passar na China” e acabou. A China é enorme, tem uma multitude de diferentes etnias, dialetos e culturas. Mesmo que você escolhesse um país pequeno como a Bélgica, ainda teria que decidir se a sua história se passaria na parte que fala francês ou na que fala alemão.

2.     Use e abuse do Google Maps

Na hora de pesquisar cenários reais para publicar livro, o Google Maps é o seu melhor amigo. É sério. Use e abuse dele. Além da visão de satélite, que pode oferecer uma visão geral da região, existe um recurso precioso: o street view.

Imagine poder passear por ruas onde você nunca esteve? Não imagine, use o street view. É possível que as imagens estejam um pouco desatualizadas, afinal o carro do Google não passa diariamente em todas as ruas do mundo. Mas, ainda assim, com o street view você tem uma visão de perto de como as ruas realmente são.

Escolha uma rua, selecione o street view e pronto. Imagine que é a sua personagem andando ali. Use essa referência real para descrever cenários.

O Google Maps também pode ajudar você a escolher locais reais para ambientar sua história. Afinal, com uma pesquisa simples você pode encontrar escolas, pontos de ônibus, comércio, praças e tudo o mais que uma pessoa precisa para viver em uma cidade.

Finalmente, não se esqueça de mapear as rotas e verificar as dist;âncias entre um cenário e outro, além de considerar possíveis fatores socioeconômicos. Se a sua personagem não é rica, ela provavelmente usa o transporte público, não frequenta restaurantes caros e mora numa área mais econômica da cidade, que provavelmente é longe da área nobre.

3.     Leia notícias locais e consulte sites do governo

Mesmo cidades pequenas podem ter portais de notícias locais, e eles podem oferecer uma visão única de como é a vida para os moradores. Lendo notícias, você saberá o que acontece por lá, tanto as coisas boas, quanto as coisas ruins.

Quais são os grandes eventos de entretenimento da cidade? Que tipo de notícia é importante o bastante para ganhar destaque? E a criminalidade?

Enquanto algumas cidades estão sempre borbulhando com eventos culturais de todos os tipos, outras só tem pequenas apresentações de bandas locais e talvez uma ou outra feira anual que reúne a cidade inteira.

Há lugares em que é comum ouvir o som de tiros diariamente. Em outros, um único assalto pode ser motivo de alarme para a população inteira.

Os sites do governo local também podem ser úteis, muitas vezes contendo uma série de informações sobre a economia, geografia e turismo da cidade.

4.     Assista vídeos e leia blogs sobre o lugar

Existe conteúdo na internet de pessoas literalmente descrevendo e mostrando como é o dia-a-dia em lugares específicos. Sim, o conteúdo perfeito para você, autor que está pesquisando como ambientar sua obra antes de publicar ebook. E de graça!

No YouTube, você encontrará diversos canais especializados em mostrar como é a rotina morando em um local específico, tanto do ponto de vista de quem cresceu ali quanto de quem migrou para lá. Você também encontrará diversos blogs e contas nas redes sociais especializadas nisso.

Recomendamos que você procure o máximo de referências possíveis. Pessoas que cresceram na cidade poderão oferecer uma visão mais autêntica. Por outro lado, é possível que quem veio de fora comente detalhes que passam despercebidos por quem já está inserido na cultura local há muito tempo.

O risco que você corre ao assistir o conteúdo que não é feito pelos locais é cair numa narrativa de exotificação, com explicações incorretas sobre a cultura local. Ter senso crítico e buscar as opiniões de quem cresceu na região é essencial.

É possível que, para atrair um público mais amplo, alguns criadores de conteúdo coloquem no título apenas o nome do país onde moram. Contudo, quase sempre a cidade, região e às vezes até o bairro onde estão será especificado no conteúdo em si.

Tenha paciência, comece sua pesquisa de forma mais ampla e vá afunilando gradualmente, selecionando os conteúdos que têm utilidade real para você.

5.     Entre em contato com pessoas que cresceram na região

E, por fim, a dica de ouro para todo autor que está pesquisando para escrever um livro: consulte quem domina o assunto! Se você quer ambientar sua história num lugar que você nunca visitou, converse com quem viveu ali.

É possível que os criadores de conteúdo que mencionamos na dica anterior estejam dispostos a lhe ajudar se você entrar em contato. Contudo, não conte com a disponibilidade de influenciadores.

Com as redes sociais, você pode facilmente entrar em contato com pessoas menos conhecidas. Pode pesquisar perfis no Twitter, no Instagram, no Facebook. Pode até mesmo recorrer ao Linked-In ou à plataforma Lattes (talvez um professor universitário aceite ajudar você).

Se a pessoa estiver disposta a ajudar (e é importante pedir com muita educação), entreviste-a. Pergunte como foi sua experiência crescendo ali, quais lugares ela frequentava em cada época da sua vida, como é a situação socioeconômica da cidade, que tipo de emprego está disponível, como é a educação.

Tudo importa, inclusive o perfil da pessoa que está entrevistando. Cada pessoa tem uma vivência única, ainda que morando em uma mesma cidade. Uma senhora de oitenta anos não terá a mesma experiência que uma adolescente de quinze.

É possível que cada pessoa inspire uma personagem diferente. De preferência, não se retenha a uma única voz, uma única vivência. Conheça as possibilidades e saiba quem viveu cada uma delas. Identifique o que de tudo isso serve para sua história.

Para concluir de vez, deixamos aqui uma pequena lista de itens essenciais para evitar gafes ao ambientar histórias em lugares que você não conhece:

·       Preste atenção no vocabulário e culinária local, que pode mudar muito de uma cidade para a outra.
Ex.: “joelho”, “brioche” e “italiano” são todos nomes diferentes para o mesmo salgado, cada um usado em uma região do estado do Rio de Janeiro.

·       Evite fazer com que sua personagem aja como uma turista, a não ser que ela seja uma turista. Quem visita pontos turísticos são… turistas. Quem cresceu em uma cidade costuma frequentar lugares diferentes, ou ressignificarem os pontos turísticos.
Ex: em vez de pagar para entrar em um museu, se sentar com os amigos nos jardins, que são gratuitos.

·       Sempre preste atenção em detalhes técnicos, como o transporte, a distância entre lugares, quais redes de lojas não existem na cidade, o horário em que o sol se põe. Às vezes, você pode estar tão imerso na sua própria realidade que se esquece que nem todos os lugares são iguais. Nem toda cidade tem McDonald’s. Em um mesmo país, o sol pode se pôr às 17h e às 21h.

Ufa. Agora sim, falamos tudo o que tínhamos para falar. E aí, autor? Está pronto para escrever uma história que se passa em um lugar que você nunca conheceu?

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1 comentário


  1. Olá!
    Eu já publiquei o meu livro e teve uma boa aceitação, porém apesar da boa avaliação não consegui vender muitos exemplares.
    Por acreditar que faltou desempenho por parte da editora, estou à procura de outra.
    Como tenho os originais preciso de uma parceria, mas as editoras insistem em refazer diagramação, registro da obra, capa, etc.
    Isso não ajuda e infelizmente trata-se de uma forma de ganhar dinheiro do autor.

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