Como escrever livros de ficção científica?

Você é apaixonado por livros de ficção científica e acha que chegou sua vez de escrevê-los, mas não sabe por onde começar e o que precisa fazer? Não se preocupe, nas dicas de autopublicação de hoje, vamos ensinar o que você precisa para escrever livros de ficção científica!

De fato, a ficção científica é um gênero complexo. Para começo de conversa, não há sequer um consenso sobre o que é ficção científica. Embora a opinião do senso comum seja que qualquer história fictícia com tecnologia no meio possa ser considerada ficção científica, não é bem assim que os especialistas pensam. Por exemplo, há grande debate sobre a qual gênero pertence a série Star Wars: ficção científica ou fantasia.

De acordo com o o autor e bioquímico Isaac Asimov,

Uma história de ficção científica deve se passar em uma sociedade significativamente diferente da nossa, em geral, mas não necessariamente, devido a alguma mudança científica ou tecnológica.

Para ele, a ficção científica é uma história sobre a reação dos humanos a mudanças que destroem a ordem da sociedade como conhecemos.

Por outro lado, segundo Brian Aldiss, um dos mais conceituados autores de ficção científica do séc. XX na Inglaterra, a ficção científica é a busca pela definição do Homem e seu status no universo dentro do nosso conhecimento confuso, embora avançado, sobre o mundo.

Para Arthur C. Clarke, co-roteirista do filme 2001: Uma Odisséia no Espaço, “A Ficção Científica é algo que poderia acontecer, mas que normalmente você não gostaria que acontecesse”. E dessa forma, nas palavras de Rod Serling, que subiu à fama com Twilight Zone, seria possível diferenciar facilmente a fantasia da ficção científica: “Fantasia é quando o impossível se torna provável. Ficção científica é quando o improvável se torna possível.”

Em geral, dois fatores que predominam nessas definições são a presença de tecnologia e um ar especulativo, que questiona a posição em que estamos e onde poderíamos estar. É o mundo que conhecemos combinado a uma especulação baseada na ciência. Por exemplo, “e se inventassem uma máquina do tempo?”.

Sob esse ponto de vista, talvez você goste mais de fantasia espacial do que de ficção científica em si. Então, como saber se você deveria escrever um livro de fantasia ou livro de ficção científica? Bem, pergunte a si mesmo se você:

  • Gosta de imaginar realidades alternativas
  • Tem vontade de aprender mais sobre ciência e tecnologia

Se você gosta de criar mundos imaginários incríveis, mas não tem a menor disposição para pesquisar antes de escrever um livro, nem para estudar um pouco de ciência, então é melhor escrever fantasia mesmo. E, é claro, nada impede seu livro de fantasia de se passar em uma sociedade alienígena!

Agora, se você está pronto para aprender o que precisa e especular, é hora de escrever livros de ficção científica.

A realidade alternativa dos livros de ficção científica

O cenário de um livro de ficção científica pode ser exatamente igual ao nosso mundo, exceto por um grande avanço tecnológico, ou pode ser um universo inteiramente novo. A questão principal é que esse mundo, assim como a realidade que conhecemos, é regida pela ciência.

Você está livre para especular, mas é importante ter no mínimo uma noção básica das teorias vigentes sobre o mundo como o conhecemos. Então, se você quer escrever sobre teletransporte, pesquise sobre as informações existentes no assunto e, a partir daí, especule sobre uma maneira plausível de alguém se teletransportar.

Da mesma forma, se no seu livro de ficção científica houver humanos vivendo em um planeta sem gravidade, é necessário entender os efeitos da ausência de gravidade no corpo humano e imaginar uma solução tecnológica inteligente para esse problema.

Sim, ficção científica é ficção. O mundo que você criar para a sua história não será real, mas ele precisa ser plausível. Por isso, pesquise sobre o que os humanos já sabem e desenvolva a partir daí.

Regras são importantes em livros de ficção científica

Toda obra de ficção depende de algo chamado “suspensão da descrença”. Trata-se do momento em que o leitor se “esquece” que o que está lendo não é uma história real e aceita a história como ela é, se emergindo nesse mundo imaginário. É o que permite que os leitores de fantasia se emocionem com o livro em vez de dizer “uma vassoura voadora? Que ridículo, isso não existe!”.

A suspensão de descrença é um pacto entre o autor e o leitor. Você escreveu e vai publicar livro com uma história deliberidamente inventada. Seus leitores sabem disso, mas aceitaram sua história como uma realidade alternativa, possível dentro das páginas de um livro.

Para que esse pacto se mantenha, você tem que fazer sua parte. Isto é, escrever um livro verossímil. Uma história que, embora não seja real, soa plausível dentro daquele contexto. O mundo em que se passa sua história deve fazer sentido e ter regras próprias, assim como temos as nossas.

Na ficção científica, em geral, essas regras são muito parecidas com as regras do nosso mundo. Afinal, é uma história baseada na nossa ciência. Contudo, assim como Isaac Asimov dizia, podem e devem haver grandes mudanças. E é aí que você deve prestar atenção.

A credibilidade de um livro de ficção científica tem muito a ver com o quão plausível é a história de acordo com as regras do nosso próprio mundo. Se houver um conceito errado daqueles que se aprende no ensino médio, é provável que os leitores não fiquem muito satisfeitos e não suspendam a descrença ao ler seu livro. Por exemplo, você não deveria desrespeitar as leis de Newton.

No entanto, é muito comum que autores de ficção científica não levem as regras do nosso mundo tão a sério assim. O motivo é bem simples. Inclusive, há mais de um motivo:

  1. É difícil dominar todo o conhecimento que existe na área da ciência
  2. A maioria das pessoas não tem esse conhecimento e, por isso, não se importam
  3. É difícil encaixar a realidade nua e crua nas especulações imaginárias

Ou seja, é simplesmente mais fácil escrever e publicar ebook que não é tão fiel às teorias já comprovadas sobre o nosso mundo. Desde que você não subestime a inteligência do seu público, não tem problema.

O problema começa quando você estabelece uma regra no seu próprio livro e depois a quebra sem dar uma explicação plausível para o seu leitor. Ainda que essa regra seja fictícia, você deve levar a sério o mundo que inventou.

Dessa forma, se no seu livro os humanos respiram debaixo d’água, não faça ninguém morrer afogado a não ser que você tenha uma ótima explicação para isso. E se houver uma explicação que justifique algo assim, provavelmente você deveria fazer um livro inteiro sobre o assunto.

Para auxiliar no processo de definir regras sobre o mundo, prepare uma ficha com as seguintes informações:

  1. A história desse mundo
  2. A geografia desse mundo
  3. As regras ou avanços tecnológicos que o diferenciam do nosso
  4. As teorias científicas (reais) que se relacionam à sua história
  5. Como funciona esse universo?
  6. Como é a vida nessa sociedade?
  7. Como os fatores levantados acima afetam suas personagens (o modo de pensar, agir, etc.)

De modo geral, se você quer escrever um bom livro de ficção científica, o caminho é fazer seu dever de casa. Pesquise bastante, faça muitas anotações, prepare fichas detalhadas sobre o universo que está criando. E sempre leia e assista muita ficção científica!

E aí, autor? Já publicou o seu livro de ficção científica?

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