Como escrever livros de autoajuda

A autoajuda é mais do que um gênero literário: é uma indústria inteira, um mercado que só nos EUA já vale mais de 10 bilhões de dólares. Tamanha grandiosidade pode ser intimidadora, especialmente considerando que mercados tão inflados as vezes não oferecem tantas oportunidades para quem está começando. A mágica da autoajuda é que nela sempre tem vez: todos podemos ajudar e ser ajudados, por isso, é um mercado que nunca morre.

Na Bibliomundi, acreditamos que a literatura é de todos para todos. Toda pessoa tem algo a compartilhar com o mundo, e por isso, todos devem ter o direito de publicar livro quando quiserem. Assim como a autopublicação, a autoajuda também é democrática.

Diferentemente de outros nichos da não ficção, os livros de autoajuda tratam de um tema que vale a qualquer leitor. Não há uma pessoa sequer que não passe por dificuldades. Não há uma pessoa sequer que não possa melhorar em algum aspecto. E, embora muitos tenham preconceito com a autoajuda, trata-se de um gênero que realmente pode contribuir para uma melhoria na qualidade de vida de um indivíduo, além de ser muito versátil, variando desde temas como a depressão até técnicas de organização.

Enquanto outros gêneros de não ficção exigem certa especialização para serem escritos (por exemplo, espera-se que um livro de medicina seja escrito por um médico), o único requisito para escrever autoajuda é a humanidade.

Recentemente, a supermodelo Gisele Bündchen publicou seu próprio livro de autoajuda, Aprendizados: Minha caminhada para uma vida com mais significado. Neste livro, a modelo abre o coração sobre sua vida pessoal e os aprendizados que contribuíram para o seu crescimento. Seu livro não ensina a seguir a mesma profissão que ela, mas sim a seguir o mesmo caminho de desenvolvimento pessoal. É esse o propósito da autoajuda.

O mais interessante, contudo, é o que motivou Gisele a escrever seu livro. Nos últimos anos, a modelo foi apresentada a algumas pessoas que precisavam de conselhos, pessoas que se beneficiaram ao ouvir a história de Gisele e, mais ainda, ao conhecer seus processos, seus aprendizados. Percebendo o poder que tinha em sua vivência, ela chegou à conclusão de que queria ajudar mais pessoas, em vez de se manter fechada dentro de seu círculo. E, assim, Aprendizados foi publicado.

Você pode não ser uma supermodelo com alcance internacional, mas o que diferencia você de Gisele quando o assunto é autoajuda? O que torna os aprendizados dela mais válidos do que o seu? Nada. Da mesma forma que os conselhos e experiências pessoais de Gisele puderam ajudar pessoas desconhecidas, as suas palavras também podem. E devem.

Se uma pessoa encontra a solução para um problema, a superação para um obstáculo, a cura para um tormento, é apenas justo compartilhar com o mundo. Então, não se menospreze. Às vezes, até mesmo o que parece óbvio para você pode ser uma revelação para o outro.

Como escrever livros de autoajuda passo a passo

Muito bem. Você já sabe que pode escrever um livro de autoajuda, mas como isso deve ser feito? Antes de mais nada…

  1. Escolha um tema específico

Existem mil possibilidades diferentes de tema para um livro de autoajuda, que podem se encaixar em diversas categorias. Você pode escrever sobre como melhorar a vida profissional, como se organizar financeiramente, como lidar com problemas psiquiátricos, como superar decepções amorosas, como arrumar melhor a casa, como se tornar uma pessoa mais saudável… São muitas opções mesmo, e você provavelmente está qualificado para escrever sobre mais de uma delas.

No entanto, é essencial que você comece com apenas um tópico, e que seja algo bem específico. Não só será muito mais fácil de se escrever, pois você terá foco e poderá se aprofundar muito mais, como também será muito mais vendável.

Quando se tenta a sorte num mercado competitivo, e isso vale não só para a autoajuda como todo o setor editorial, investir em nichos pequenos é um caminho inteligente. Pense bem: se você procurar no Google “como curar a depressão”, aparecerão milhões de resultados diferentes e dificilmente você abrirá mais do que os 3 primeiros. Agora, quanto mais específica for sua pesquisa, menos resultados você encontrará, mas maiores são as chances de você sanar sua dúvida exata.

Do ponto de vista de um site que está competindo por esses acessos no Google, é péssimo ficar para trás. Seria ótimo ser um dos primeiros resultados da pesquisa “como curar a depressão”, mas a não ser que o seu site seja extremamente famoso (como a Wikipédia), é uma conquista difícil. Por outro lado, não é tão difícil assim conseguir uma boa posição em uma pesquisa mais específica, e quem clicar também ficará satisfeito.

Publicar ebook é parecido. Quando o leitor procurar um livro de autoajuda nas lojas digitais, grandes são as chances dos primeiros resultados serem ebooks de autores famosos. Agora, se o leitor fizer uma pesquisa mais específica, que aborde diretamente o problema que ele deseja superar, apenas resultados igualmente específicos aparecerão. Esse é o poder dos nichos: o caminho entre o público e o livro é muito mais rápido.

É por esse motivo que os autores independentes têm vendido cada vez mais. As grandes editoras têm medo de investir em nichos pequenos e preferem apostar em títulos genéricos para atrair o maior público possível. Enquanto isso, novos autores investem em assuntos que ninguém falava antes, com leitores sedentos por mais conteúdo.

2. Conheça seu leitor ideal

Todo autor precisa de um leitor. Para que publicar livro se ninguém for ler? Se o seu livro for de não ficção, então, saber quem é esse leitor é mais importante ainda. Só assim você poderá transmitir sua mensagem de maneira eficaz.

A melhor maneira de conhecer seu público-alvo é realizando uma pesquisa de mercado. Procure outros livros semelhantes ao seu, veja quem são as pessoas que os lêem. Descubra dados como a faixa-etária, gênero, hábitos de consumo, toda informação é útil!

Com base nesses dados, é recomendado criar um “leitor ideal”. No marketing, chama-se de “buyer persona”. Isto é, uma personagem fictícia que representa o seu consumidor ideal. Essa personagem é muito mais do que um conjunto de dados, ela deve ter nome e características próprias, como qualquer personagem de livro teria. E para que isso, você pergunta? Para que você possa entrar na cabeça do seu leitor e entender como ele funciona.

De certa forma, criar o leitor ideal é como criar uma situação hipotética que permitirá que você teste suas ideias e melhore seu desempenho. Imaginando essa personagem, você poderá escrever o seu livro de maneira mais sincera e se comunicar muito melhor com os leitores em qualquer material de divulgação do ebook.

Tratando-se de um livro de autoajuda, é interessante pensar nesse leitor ideal como uma pessoa com problemas específicos que precisam ser solucionados. Assim, o objetivo do livro será resolver esse problema hipotético. Se você se identificar com essa abordagem, pode criar alguns leitores ideais diferentes para um mesmo livro, cada um com problemas semelhantes, mas não exatamente iguais.

Crie também uma lista de possíveis dúvidas ou críticas que esses leitores poderiam levantar. Responda às dúvidas e rebata às críticas ao longo do livro, de maneira natural e organizada. Aborde uma questão de cada vez, sem atropelar os pensamentos. Deixe o leitor absorver tudo com calma.

3. Pesquise antes de escrever

Ainda que a autoajuda tenha muito a ver com experiências e aprendizados pessoais, capazes de tornar o seu livro uma obra única, é sempre importante pesquisar antes de escrever um livro. Não falamos apenas da pesquisa de mercado, mas também uma pesquisa sobre o tema, a fim de complementar o conteúdo do livro.

Para fazer uma boa pesquisa, você pode:

  • Ler artigos e livros escritos por especialistas no assunto
  • Entrar em grupos, fóruns e páginas da internet voltadas para esse tema
  • Entrevistar pessoas com vivência nesse tema
  • Buscar dados estatísticos e pesquisas científicas relacionadas ao tema
  • Realizar testes que confirmem sua tese (ex.: fazer com que um grupo de pessoas utilize seu método para resolver um problema e reportem os resultados)

Faça anotações em todas as etapas da pesquisa e não tenha medo de se inspirar em outros autores, muito menos de mencioná-los em seu livro. Buscar outras opiniões não é sinal de fraqueza, e sim de sabedoria. Mostra que você não escreveu sobre achismos, mas que tem uma tese sólida e que pode contribuir de verdade para a melhoria da vida do seu leitor.

Ao se inspirar em outros autores, não se esqueça de incluí-los nos agradecimentos do livro ou na seção de referências bibliográficas. Não só é ético dar crédito a quem merece, como também confere profissionalismo ao seu livro. Até mesmo livros de autoajuda com um tom mais informal devem seguir essa regra.

E aí, autor? Está pronto para escrever seu livro de autoajuda? Caso tenha mais alguma dúvida, confira nossos artigos sobre Como escrever não ficção e muito mais no blog da Bibliomundi!

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