Como eliminar todas as distrações para escrever

Quando o assunto é falta de produtividade e procrastinação, o primeiro culpado que vem à cabeça quase sempre é a internet. Facebook, Instagram, Twitter e tudo o mais que você pode acessar, além dos joguinhos de celular, são os responsáveis pelo seu livro estar lá, esperando para ser escrito.

Portanto, para eliminar as distrações, o caminho é simplesmente se livrar de toda a tecnologia ao seu redor. Sem jogos, notícias ou redes sociais, você conseguirá escrever. Mas o que acontece depois que você silencia os apps e desliga a internet? Você vai, por um passe de mágica, terminar de escrever e publicar ebook?

Como você pode garantir que não será dominado por uma vontade súbita e irresistível de arrumar a casa? Talvez perceba que ainda precisa pesquisar um pouco mais antes de escrever seu livro. Quem sabe não bata aquela fome? Ou você acabou de lembrar de um telefonema super importante que não fez ainda?

A verdade é que a distração está em todos os lugares e já existe desde muito antes da internet ser inventada. E, sendo assim, não basta eliminar a tecnologia para se livrar da distração. Precisamos ir mais longe. Nas dicas de autopublicação de hoje, vamos ajudar você a chegar à raiz do problema chamado distração.

Qual é a verdadeira origem da distração?

É possível afirmar que, sob uma perspectiva neurológica, tudo o que fazemos é para evitar desconforto. Se está calor demais, é desconfortável, então procuramos um ventilador, um ar condicionado, um banho frio. Se está muito frio, colocamos um casaco ou vamos para debaixo do cobertor. Fome é desconforto. Tédio é desconforto. E assim, tentamos encontrar sempre uma forma de fugir daquilo que nos incomoda.

Para o nosso corpo, essa tendência é muito útil e até saudável. Percebemos que algo está errado e tentamos consertar. Contudo, nem sempre reagimos de maneira que nos beneficie. Seguindo a mesma lógica da fuga do desconforto, nós criamos o hábito de acessar as redes sociais quando nos sentimos solitários ou entediados.

É como se procurássemos soluções paliativas em vez de observar o problema de forma racional. Tentamos tapar o sol com a peneira, encontramos satisfações temporárias, ficamos presos em um ciclo sem fim.

Não podemos acabar de uma vez por todas com o desconforto. Ele sempre vai voltar. Seja esse o seu primeiro ou centésimo livro, escrever nunca será um processo exatamente fácil. Mas você pode tentar entender quais são os gatilhos que fazem você querer parar de escrever e fazer outra coisa.

 Analise o seu próprio comportamento, suas sensações. Quando você estiver prestes a procrastinar, pense no desconforto que levou a isso. Escreva tudo, qual foi o gatilho, a hora do dia, como você se sentiu. Seja curioso, explore mesmo essas sensações. Perceba o que você está sentindo em vez de se render aos impulsos.

Ao entender qual foi o gatilho que fez você se distrair da sua tarefa, se torna muito mais fácil resistir à tentação. Assim, você poderá substituir soluções paliativas por atitudes inteligentes.

O oposto da distração

Para algumas pessoas, o oposto da distração é o foco. Se você se esforça e se concentra, não se distrairá. Que tal pensar de forma diferente? Se a distração afasta você do seu objetivo, o seu oposto seria algo que o atrai. É ficar completamente absorto pela sua tarefa. É estar envolvido.

Sim, é difícil controlar o nosso nível de envolvimento, mas não é totalmente impossível. Pode ser apenas uma questão de perspectiva.

O que é interessante para alguns, pode ser entediante para os outros. Pense na pesquisa científica, por exemplo. Envolve horas e horas e horas de observação e, na maioria das vezes, aquilo que é observado não demonstra grandes mudanças em um curto período de tempo. É necessária a paciência, mas, para os pesquisadores, é uma tarefa interessante.

Que tal você tentar mudar a maneira que encara suas obrigações? E se você parar de pensar “que droga, tenho que fazer isso” e pensar mais nos lados positivos, pensar naquilo que torna a atividade interessante. Permita-se a diversão. A escrita pode ser deliciosa.

E, assim como você pode mudar sua perspectiva sobre as tarefas que precisa desempenhar, você também pode mudar a forma que enxerga a si mesmo. Quando você acredita que é uma pessoa sem força de vontade, que se rende à qualquer distração, você se torna essa pessoa.

Não adianta nada se culpar pela sua procrastinação. Não adianta nada olhar para todas as vezes que você deixou de escrever e dizer “eu sou um imprestável”. Isso não o tornará um escritor melhor, nem uma pessoa melhor. Você não é imprestável. E você não precisa ser.

Deixe essa visão pessimista para trás. Esqueça-a completamente. Permita-se tentar desempenhar suas tarefas com uma disposição renovada. Não comece já pensando que vai dar tudo errado, que você vai desistir. Só isso já ajuda e muito.

Pequenas técnicas para eliminar distrações

Cada pessoa tem hábitos diferentes. Portanto, é difícil programar uma agenda universal para todo escritor. Você precisa descobrir as suas próprias distrações antes de eliminá-las. Contudo, podemos ajudar você a pensar em algumas técnicas.

Se você se distrai muito olhando seus emails, por exemplo, uma forma inteligente de lidar com isso é organizando sua caixa de entrada e o tempo que você dedica a essa tarefa. Categorize seus emails baseado no nível de urgência de cada um. Por exemplo:

1.      emails que não precisam ser respondidos,

2.      emails que precisam ser respondidos esta semana,

3.      emails que precisam ser respondidos ainda hoje,

4.      emails que precisam ser respondidos imediatamente.

Então, marque na sua agenda um horário para responder cada categoria de emails. Por exemplo, você pode responder à categoria 2 toda segunda-feira e à categoria 3 diariamente às 18h. Assim, você será muito mais eficiente e se distrairá menos.

Não faça isso apenas com o email. Organize todas as suas atividades em uma agenda. Separe tempo na sua rotina para lidar com trabalho, relações e você mesmo. E, semanalmente, analise se você realmente está cumprindo essa agenda e o que deve ser diferente para que você possa cumprir suas metas.

E aí, autor? O que você acha dessas técnicas para eliminar distrações? O artigo de hoje foi inspirado no livro Indistractable de Nir Eyal, disponível em língua inglesa. Para saber mais detalhes, você pode acessar o site oficial do autor!

2 Comentários


  1. Oi, tudo bem?

    É muito chato ter que lidar com o hábito de procrastinar. Estou nessa há anos, e no final sempre ficar me arrependendo de não ter feito nada quando já deveria ter escrito mais de 4 livros até então. Sei que sou eu mesma que crio um monte de desculpas para não escrever, sendo que amo escrever.

    Estava estudando um pouco sobre visualização e estava querendo testar no dia a dia (permanentemente). Se favo algo sem enrolar e frio motivos que me alegram para fazer tal tarefa sem dar importância sobre o que poderia dar errado e são tarefas para outra hora consigo facilmente ser mais produtiva. O pomodoro, mas a versão do App Fprest super ajudou.

    Fiz uma postagem sobre começar a usar visualizações para evitar a procrastinação como um hábito simples para começar a criar.

    Amei as dicas. A do e-mail vou usar porque minha caixa de entrada é uma bagunça desmedida.

    Abraços, anjo.

    R.W.

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