Aprenda a editar seu próprio livro em 5 passos

O trabalho de um autor não acaba ao terminar de escrever a última página do livro. Esse é apenas o começo de uma nova etapa, chamada edição. Na autopublicação, em especial, essa etapa se mostra ainda mais relevante.

O seu livro não estará sujeito à aprovação de uma equipe profissional de editores. Nada disso. Tudo o que você publicar será levado direto para o público. E aí, você quer que seus leitores vejam um trabalho incompleto e pouco profissional?

Mesmo que pareça cruel, é provável que esse seja o estado em que seu livro se encontra logo após você terminar de escrever. Cheio de erros de digitação e gramática, com trechos longos e desnecessários, talvez partes do enredo que não façam sentido e por aí vai.

Enquanto autor responsável integralmente pelo próprio livro, você deve garantir que o público terá acesso à melhor versão possível da sua obra, e queremos ajudar você a conseguir isso. Aprenda a editar seu próprio livro em cinco passos.

1.     Descanse um pouco

Você acabou de terminar de escrever livro. Antes de qualquer coisa, descanse um pouco. Ou até mesmo procure outras coisas para fazer, existe um mundo de possibilidades. Você pode arrumar a casa ou maratonar uma série no Netflix, o que parecer mais apropriado. O importante é se manter longe do seu livro.

Isso mesmo, queremos que você mantenha distância dele. O motivo é bem simples. É muito difícil ler seu próprio livro com uma visão crítica à altura de outra pessoa. Ele é seu, e assim que acaba de escrever, você ainda está imerso nele.

Dê um tempo e se distancie. A distância fará um trabalho incrível ao seu favor, para que, quando você pegar no seu livro de novo, ele quase pareça escrito por outra pessoa. Assim, será possível editá-lo como não seria antes.

2.     Divida em etapas

Muito bem, você agora já terminou de descansar. O tempo que você gastou afastado do livro varia de indivíduo para indivíduo, mas finalmente acabou e você deve botar a mão na massa. Para tornar o trabalho de edição o mais eficiente possível, a melhor ideia é começar organizando-o.

Divida em etapas. Apenas duas são boas o suficiente para começar. Elas precisam ter diferenças de foco, cada etapa será uma releitura diferente do livro e você precisa ter em mente o tipo de problema que consertará em cada uma.

Uma boa ideia é dividir entre reescrita e edição, ou revisão de coerência e revisão de coesão. Em outras palavras, na primeira etapa você pensará em questões maiores e mais profundas da obra, como o enredo, organização de capítulos, fluxo de leitura. Na segunda etapa, você revisará erros superficiais, como gramática, digitação, estrutura de frases.

Não se assuste com a ideia de “reescrita”. Ninguém é obrigado a reescrever um livro palavra por palavra, mas é bom manter a cabeça aberta para a ideia de reescrever parágrafos, capítulos, deletar trechos inteiros e reorganizar as partes. No final, mesmo que não seja um recomeço do zero (e não esperamos ou recomendamos que seja), valerá como um livro reescrito.

Você pode organizar essas etapas de acordo com as suas preferências e executar diferentes estratégias em cada uma. Enquanto a reescrita funciona bem com rascunhos fáceis de anotar e editar e referências importantes sobre o enredo, a edição exige ferramentas práticas de verificação ortográfica.

3.     Faça e consulte um traçado do enredo

Um recurso muito recomendável antes de começar a reler e reescrever é o “mapa” ou “traçado” do enredo. Se você é do tipo planejador, provavelmente já elaborou o traçado do seu enredo antes mesmo de começar a escrever. Essa técnica é muito útil para guiar a história em direção ao final, e pode ser ainda mais útil agora.

Caso você já tenha um traçado pronto, você pode consultá-lo. Mas, independente de já ter feito, está na hora de criar um novo. Tente pensar em todos os eventos mais importantes do enredo, de preferência em uma linha do tempo. Seguir a ordem cronológica pode ajudar você a se organizar na história, mesmo que a narrativa não seja linear.

Anotar informações importantes, como grandes eventos que acontecem em certas datas e as características de cada personagem também pode vir a calhar. Tudo isso tem duas funções: manter a consistência do enredo ao longo da história e eliminar tudo aquilo que é irrelevante.

Lembre-se de que “irrelevante” é um conceito que depende de vários fatores. Significa que a cena não contribui de forma alguma para a história, e não que ela parece “chata”.

Um ótimo exemplo disso é A Pequena Sereia (1989), dos estúdios Walt Disney Pictures. A canção “Parte do seu mundo”, cantada pela protagonista Ariel, quase foi deletada por ser considerada entediante para as crianças.

No entanto, essa cena representa o momento crucial em que conhecemos os objetivos e sentimentos da personagem. Sem ela, as motivações de Ariel não seriam claras e provavelmente haveria pouco espaço para desenvolver um laço emocional entre ela e o público.

Busque trechos que não fazem sentido no contexto geral ou que simplesmente não fariam falta se fossem removidos. Considere alterar qualquer elemento que interfira diretamente no enredo, em especial os plot holes, ou seja, erros que não fazem o menor sentido no enredo. Um exemplo esdrúxulo seria um personagem imortal que morre.

4.     Leia, releia e releia de novo

Você já está organizadíssimo para começar a editar, e o único caminho para isso é relendo. Mas existem técnicas especiais para isso:

Imprima seu livro

O papel pode proporcionar uma leitura diferente, em que você se coloca muito mais na posição de leitor do que quando pode simplesmente apagar e reescrever o texto à vontade. Por isso, é interessante imprimir seu livro para a etapa de edição.

Utilize as folhas como rascunho, fazendo anotações sobre as partes que precisa alterar. Esse exercício também pode contribuir para a reescrita e reorganização de certos trechos do livro. Afinal, você terá uma ideia nítida e objetiva do que precisa fazer, em vez de sair reescrevendo tudo impulsivamente.

É interessante listar as alterações mais trabalhosas que pretende fazer. Quando possuir a lista completa, você deve se perguntar se essas mudanças são realmente necessárias, se é possível fazê-las sem prejudicar o resto da obra, por aí vai. Tente reduzi-las ao máximo, evite retrabalho desnecessário.

Leia em voz alta

Ler em voz alta ajudará você a reparar detalhes que não eram visíveis anteriormente. Você ouvirá seu livro pela primeira vez. O lado positivo mais óbvio é a capacidade de perceber a sonoridade do  texto, o que torna mais óbvio quando certas construções são esquisitas.

Algumas pessoas podem utilizar um leitor eletrônico ou até mesmo gravarem a leitura do livro, para poder ouvi-lo e editá-lo ao mesmo tempo, sem precisar falar. Experimente diferentes métodos até encontrar o que melhor funciona para você.

Leia no formato final

Se você autopublicará um ebook, ler no formato final é mais do que uma técnica de edição opcional. Pode até mesmo ser considerada como parte integral do processo de publicação.

Pense bem. Se todo o processo de desenvolvimento do livro está em suas mãos, a formatação também cabe a você. Veja como ficou o livro na versão final, se a leitura está agradável nesse formato.

Corrija todos os erros, de preferência antes de publicar. Na Bibliomundi, você pode fazer pequenas alterações, como correções ortográficas, em livros já publicados sem precisar lançar uma nova edição.

5.     Use ferramentas ao seu favor

A tecnologia veio para facilitar a vida de todos nós, e o trabalho fica muito mais fácil e eficiente quando contamos com ela de forma inteligente. Apesar de computadores não serem capazes de substituir o elemento humano necessário na criação e revisão de enredos, eles são muito eficientes na hora de procurar erros ortográficos e palavras repetidas.

O WordCounter360º é uma ferramenta gratuita que analisa textos. Nele, é possível visualizar quais as palavras mais utilizadas e até mesmo quantas ocorrências existem. Observar esses padrões é um excelente caminho para corrigir os problemas de forma rápida e objetiva.

Procure sinônimos das palavras que você utiliza em excesso: use e abuse deles. Considere também alterar a estrutura de uma frase, caso não seja possível fazer substituições simples. É possível que toda a sua escrita esteja presa em um padrão limitado, que você pode começar a desconstruir agora.

Cuidado com os recursos automáticos de substituição e correção de palavras. O que parece um erro pode não ser. Alterar o seu texto automaticamente pode gerar uma série de problemas novos que serão uma chatice de corrigir, isso se você sequer notar que eles estão lá.

Pensar em palavras problema também pode ser uma boa ideia. Pessoas que falam português, no geral, tem dificuldade para diferenciar “esse” e “este” e utilizar vírgulas de acordo com a norma culta, por exemplo. Errar é humano, e você também pode cair nessas pequenas gafes. Sempre confira erros comuns.

Seguindo esse passo a passo, fica mais fácil sistematizar a edição do seu próprio livro. No entanto, sempre considere a possibilidade de contratar um editor ou, ao menos, conseguir um leitor beta voluntário. É sempre melhor prevenir do que remediar. Ofereça o seu melhor ao público.

3 Comentários

  1. Ademir Borges Bosso

    As dicas foram totalmente bacanas.Valeu mesmo!. Vi muitas coisas que eu,como escritor,estou passando. Vou utilizá-las sempre!. Valeu!

    Responder

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