5 dicas para cativar os leitores de ficção

A ficção representa uma fuga da realidade. Um universo alternativo, onde é possível realizar façanhas que não pertencem ao dia-a-dia do leitor. A sua função como autor é propiciar a leitura mais envolvente, que leve o público para um mundo de possibilidades.

Para facilitar o seu trabalho, reunimos cinco dicas para cativar os leitores de ficção.

1. Mostre o que está em jogo

Não importa qual o gênero literário: as suas personagens devem ter algo em jogo. Em histórias de romance, pode ser a vida amorosa dos protagonistas, em suspense ou ação, pode ser uma questão de vida ou morte.

Ainda que seja um ebook estilo slice of life, que retrata apenas uma parte não tão agitada da vida das personagens, elas devem ter objetivos, desejos e dificuldades nítidos, além de algo importante a perder.

Para que os leitores se interessem pelo seu livro, a presença desses fatores é essencial. Afinal, de qual outra forma eles poderiam torcer pelas suas personagens? Um bom livro causa emoções em quem lê. Quais emoções serão essas depende do tipo de história que pretende escrever.

Uma boa estratégia para prender seus leitores desde a primeira página é apresentar o que está em jogo o mais rápido possível. Começos lentos, com descrições do clima ou outros elementos vagos que mais parecem conversa fiada, podem até funcionar em alguns livros, mas não são o mais indicado caso você não queira entediar seus leitores.

Faça com que seu público tenha ideia do que está acontecendo desde a primeira página, ou pelo menos que seja notável que algo está acontecendo. Desenvolva engajamento. Desperte a curiosidade.

2. Provoque emoção

Como já falamos, o seu ebook deve provocar as emoções dos leitores. Faça-os rir, faça-os chorar. O importante é criar uma conexão emocional forte o suficiente para que o público saia da realidade e viaje para o seu mundo.

É a suspensão de descrença, quando você se permite acreditar momentaneamente em conteúdos ficcionais, ignorando as regras do seu mundo e aceitando aquilo que a obra de ficção propõe a você. Para construir esse efeito, é necessário tanto verossimilhança quanto uma conexão entre o leitor e a obra.

Pode-se afirmar que quando um leitor busca um livro de ficção, ele espera passar pela suspensão de descrença. Que as sensações elucidadas na sua obra sejam tão palpáveis que o leitor se coloque no lugar das personagens.

Um leitor de romance busca a sensação de estar apaixonado. Um leitor de suspense ou terror busca a adrenalina e o medo, como se a sua própria vida estivesse em risco. Os leitores de fantasia, por sua vez, querem conhecer um mundo mágico. Cada gênero tem uma proposta diferente. Cada obra tem a sua maneira única de proporcionar essa sensação.

Se você deseja emocionar seus leitores, o primeiro passo é se emocionar. Afinal, se a sua própria criação não consegue comover você, por que ela deveria comover outras pessoas? A relação entre escritor e escrita pode ser incrivelmente intensa. Explore esse potencial. Teste as emoções em si mesmo.

Existem técnicas objetivas para provocar emoção nos leitores também. Em geral, os leitores desejam viver a emoção através de ação e diálogo. Em outras palavras, não seja introspectivo demais no seu livro. Existem gêneros específicos que acomodam a introspecção, mas caso o seu livro não pertença a eles, evite-a o máximo possível.

Coloque obstáculos entre as personagens e seus objetivos. Mostre que o perigo de perder tudo o que está em jogo é real. Faça com que os leitores sofram caso sua personagem perca tudo. E, sempre que possível, termine seus capítulos em um cliffhanger. Isto é, uma cena de grande tensão cuja conclusão só acontecerá no próximo capítulo.

Prender os leitores é a sua prioridade. Provocar emoção é o caminho.

3. Conecte o público às personagens

A maneira mais eficaz de engajar o público em um livro é desenvolvendo personagens cativantes. Elas são o ponto de conexão entre os leitores e o seu universo fictíctio. São seres fáceis de imaginar e com quem eles podem se identificar, habitando um mundo onde coisas incríveis acontecem.

É possível fazer um bom livro sem um enredo notável, mas não sem boas personagens. Pense nas sitcoms que você já assistiu. Quase sempre são constituídas de uma família, nuclear ou não, um grupo de amigos ou casal de namorados. Até aí, não há nada de especial no enredo ou até mesmo nas personagens.

No entanto, cada uma delas tem características marcantes, que se adequam a algum arquétipo e as tornam divertidas e familiares para os espectadores, e em cada episódio elas vivem situações inesperadas, que podem ou não fazer parte do cotidiano.

Às vezes a graça é justamente apostar em situações tão presentes na vida do público, que a própria representatividade na tela se torna a fonte de entretenimento mais autêntica possível.

As personagens, muitas vezes, são como amigas dos leitores, mas não devem ser tratadas como pessoas de carne e osso. O motivo é simples: ninguém as julga da mesma maneira que julga os humanos.

Quando uma pessoa real comete um assassinato brutal, é provável que seja rejeitada por toda a sociedade. Com personagens fictícios, pode ser bem diferente. Leitores estão dispostos a perdoar suas personagens favoritas, sejam elas as piores pessoas possíveis.

Os fatores “hate to love” e “love to hate” entram em ação. Os defeitos de uma personagem fictícia as tornam mais real, e, associados a carisma, uma história bem trabalhada e algumas qualidades, o resultado é uma figura amada pelo público.

Lembre-se que cada leitor tem preferências diferentes. Por isso, é uma boa ideia ter as personagens mais variadas possíveis, para que todos os leitores possam ter uma favorita e ninguém se sinta entediado.

4. Não seja muito previsível

Está certo que alguns leitores gostam de previsibilidade. Tudo o que eles querem é passar o tempo, se distrair da rotina da vida, e não importa se o conteúdo do ebook é praticamente igual ao dos outros cinco que eles leram nos últimos tempos.

Mas, para muitos outros, não faz sentido comprar mais um livro digital se ele não oferece algo diferente dos outros. E, se você tem interesse em se destacar da concorrência e marcar a história com seu ebook, é bom pensar em algo fora da caixinha.

Não estamos pedindo por completa originalidade. Atualmente, há quase um consenso em relação à máxima: “nada se cria, tudo se copia”. Mesmo grandes obras fictícias se basearam em outras, seja a nível de inspiração, homenagem ou plágio (o qual não recomendamos de forma alguma).

Trata-se de incluir algo em sua obra que a torna única, especial. O “elemento X” das Meninas Superpoderosas. Uma reviravolta no enredo, um protagonista atípico, uma mistura de elementos comuns que, unidos, se tornam algo novo.

Muitas vezes, o diferencial está em deixar a “elegância” de lado e explorar tabus, entre outras questões não tão bonitas da vida. Se feito em demasia, pode ser que a sua obra se incline para o fator choque, o qual faz sucesso com um grande público.

Séries de sucesso, como Black Mirror, Game of Thrones e The Walking Dead, frequentemente aproveitam a brutalidade humana como parte de sua essência. No entanto, alguns espectadores se sentem incomodados com esse aspecto, e dão preferência a conteúdos mais leves.

Ainda assim, deixar a “elegância” de lado não significa apelar para o exagero. É uma questão de desistir das aparências. Pense na sua personagem favorita. Às vezes, autores se apegam tanto a alguma personagem que não conseguem admitir que ela possui defeitos e é capaz de errar.

Basta admitir que todas as suas personagens podem errar e ter atitudes horríveis, assim como que o seu mundo fictício não precisa ser perfeito e feliz a todo momento, que estará encaminhado para escrever uma história muito mais sincera. E, consequentemente, imprevisível.

5. Não se perca no enredo

Para manter a atenção do leitor, o enredo precisa fazer sentido. Os objetivos que foram definidos no início não podem se perder, as dúvidas que foram levantadas devem ser respondidas. Em outras palavras, você não pode se perder no meio do caminho.

Por isso, a nossa dica final é: mantenha o foco no seu enredo principal. Permita que a história prossiga linearmente, ainda que a narrativa em si não seja totalmente linear. Confira algumas sugestões para não perder o foco:

  • Não se distraia com questões secundárias.
  • Não invente mais do que é capaz de lidar.
  • Não exagere no fator choque ou nas reviravoltas.
  • Não inclua elementos ou personagens na história porque são legais.

Além disso, uma ótima maneira de se manter na linha é planejando o seu enredo. Alguns autores fazem um planejamento detalhado antes mesmo de começar a escrever, para que a história tenha começo, meio e fim bem definidos.

Com um “mapa” desses, é difícil se perder. A qualquer momento você também pode consultar seus planos e analisar se está saindo da reta ou não e, caso esteja, basta voltar atrás.

Outros autores se sentem que sua criatividade e espontaneidade ficam limitadas por um planejamento prévio. Se você se encaixa nesse perfil, não se preocupe. Uma alternativa é anotar resumidamente o que já aconteceu na história até agora, quais são os pontos principais do enredo e onde eles se encaixam em uma possível conclusão.

Dessa forma, ainda que você não saiba exatamente o que vai acontecer no final, você terá uma noção do que importa para sua história. Assim, caso os elementos mais importantes estejam sendo deixados de lado, você pode reavaliar suas escolhas e voltar para o rumo correto.

E você, autor? O que achou dessas dicas? Deixe nos comentários as suas próprias estratégias para manter o público sempre engajado.

3 Comentários

  1. Eduardo

    Busco informações sobre o perfil de leitores e me deparei com esse site que acrescentou muito e despertou o desejo em começar a escrever. Sempre fui leitor voraz e a abordagem e técnicas descritas aqui foram muito elucidativas. Parabéns e passo a segui-los.

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  2. Muito bom o texto e muito útil para mim. Estou escrevendo um Romance de ficção, policial, já está adiantado, e sempre que possível leio os artigos do Bibliomundi, ajudam demais. Agradeço e quero continuar recebendo essas dicas importantes para o meu trabalho, sempre que leio um artigo, releio tudo o que já escrevi e muitas coisas são descartadas e outras são acrescentadas. Muito obrigado!

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